10 de julho de 2026
Nacional

Em 15 meses, 195 moradores de rua são assassinados no Brasil

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Belo Horizonte - Ao menos 195 moradores de rua foram assassinados no Brasil entre fevereiro de 2011 e maio de 2012. Os dados, do Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (CNDDH), revelam apenas uma parte do problema, porque o acompanhamento e o atendimento à população de rua são falhos.

Segundo o sociólogo Maurício Botrel, do CNDDH, o fato de que 61 homicídios ocorreram em Minas e 33 em Alagoas - 48% das ocorrências - não significa que os dois Estados sejam os mais violentos com a população de rua.

Para o sociólogo, eles estão no topo do ranking porque os casos foram franqueados ao CNDDH pelas autoridades estaduais graças à criação de comitês integrados por representantes de governos locais e sociedade civil. Estes comitês estão previstos no decreto que estabeleceu a política nacional para a população de rua. No entanto, a adesão ao decreto ainda é quase nula.

Belo Horizonte, Maceió e Rio de Janeiro instituíram comitês, de acordo com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Segundo o órgão, está sendo finalizado um “termo de compromisso” para que sejam firmados “pactos” com Estados e municípios.

Maria Cristina Bove, da Pastoral Nacional do Povo de Rua, defende que o governo coloque recursos no orçamento para incentivar adesões. Um dos temores é o de que sejam colocadas em prática no Brasil políticas sociais higienistas por ocasião da Copa do Mundo de 2014.

Para Bove, o ideal seria que as adesões ocorressem até o final do ano. “Senão, vai ser muito violenta (a situação na Copa). As operações de higienização estão na pauta do dia”, disse.