Mais chuvoso da última década, o outono de 2012 termina hoje em meio a muita umidade, especialmente inesperada para este mês. Há 15 anos não chovia tanto em junho quanto neste ano. A média de precipitação esperada para Bauru neste mês já foi superada em dobro pela quantidade de chuvas. Os 117,9 milímetros alcançados até a noite de ontem são históricos e perderiam apenas para junho de 1997, quando choveu 195 milímetros.
O clima “londrino” tem tudo para continuar. No dia em que oficialmente o inverno chega (leia mais ao lado), o meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Fernando Tavares alerta: “Temos previsão de mais chuva para esta quarta-feira e de um inverno chuvoso”.
O fenômeno, conforme explica Tavares, é provocado pela presença de frentes estacionárias que vieram do Sul do País e acabaram atuando por diversos dias na região Sudeste.
“A frente fria normalmente atua e se desloca rapidamente, mas a estacionária não, ela demora. Neste mês, tivemos duas frentes estacionárias aqui e a previsão aponta que deve continuar chovendo nos próximos meses”, ressalta.
Acima do normal, o meteorologista do IPMet aponta que o aumento da precipitação em junho e a possibilidade de um inverno chuvoso são resultado de uma oscilação de temperatura que ocorre no Oceano Atlântico em alguns anos.
“O oceano está mais quente do que o normal. Isso deixa o tempo instável e provoca mais chuvas por conta da umidade e da evaporação”, explica Tavares, que descarta a relação do fenômeno com o efeito estufa.
Registro histórico
Em junho de 2011, o Ipmet registrou precipitação acumulada de 45,7 milímetros. Já neste ano o nível registrado foi de 117,9 milímetros até as 23h de ontem, enquanto a média esperada pelos meteorologistas era de 54 milímetros.
O número é considerado histórico por ter sido superado somente pelos registros feitos em 1997, quando a precipitação em Bauru atingiu 195 milímetros. Apesar da chuva ter registrado o dobro do esperado para este ano, o nível de precipitação registrado até agora não supera o mês de janeiro, que foi o mais chuvoso de 2012 com 262,1 milímetros.
Mais chuva
De acordo com o IPMet, a frente fria que atua sobre o Estado de São Paulo entre esses dias teria vindo do Paraná e se desloca no sentido do Oceano Atlântico. Apesar das previsões apontarem chuvas e trovoadas isoladas ao longo desta semana, a previsão é de que o tempo melhore entre sexta-feira e sábado.
A previsão para hoje é de tempo nublado com chuvas contínuas e temperatura mínima de 19 graus. Amanhã também deve chover e a mínima cai para 17 graus. A probabilidade de chuvas para sexta-feira cai para 5%, e a temperatura mínima avança para 15 graus. Apesar da trégua da chuva, a previsão é de que o final de semana seja de frio, com mínima de 12 graus no sábado.
Inverno
O inverno começa oficialmente hoje, às 20h09, e segue até dia 22 de setembro. Além de ser mais úmido que os anteriores, também deve ser mais frio, se as previsões do IPMet estiverem corretas. A expectativa é de que o período seja marcado pela entrada de frentes frias com massas de ar frio mais fortes. Em alguns dias, a temperatura poderá oscilar com mínimas abaixo de 12 graus.
Tempo ‘fechado’ estimula a compra de guarda-chuvas e sombrinhas
Eles estão por todos os lados, com cores, formas e tamanhos diferentes e são responsáveis por colorir e dar “uma pitada” de alegria e cor para os centros urbanos nos dias de chuva. O tempo chuvoso e nublado de ontem fez com que muitas pessoas fossem às lojas no Centro de Bauru para comprar ou renovar os guarda-chuvas.
De acordo com o gerente de uma loja no Calçadão da Batista de Carvalho, Thiago Gonçalves, em um dia de chuva como ontem, o estabelecimento chega a comercializar cerca de 50 acessórios entre sombrinhas e guarda-chuvas. “Aqui tem para todos os gostos e bolsos. Automático, manual, pequeno... o preço varia entre R$ 5,90 e R$ 9,99”, frisa o vendedor.
Aproveitando o horário de almoço, a coordenadora de cobranças Cláudia Bevilaqua foi ao Centro para comprar um guarda-chuva e substituir a sobrinha quebrada, que carregava nos últimos dias como acessório emergencial dentro do carro. “Precisei dela (sombrinha) pela manhã e quando vi estava assim. Então resolvi descer aqui comprar um guarda-chuva, já que é barato e não compensa muito consertar”, afirma a mulher, saindo da loja com o novo acessório.
Em busca da substituição pela sombrinha quebrada, a vendedora Nilva Santana não resistiu às tentações da troca do pequeno acessório por um guarda-chuva grande e automático. “Eu trabalho vendendo produtos na rua e preciso de boa proteção. Se não for bom, no primeiro vento que dá ele vira ao contrário, como aconteceu com a minha sombrinha”, brinca Nilva, que em meio às variedades de cores, tipos e tamanhos, escolhia uma das peças mais caras.
Aline Beatriz Batista também procurou o comércio no Centro como opção para a compra de um guarda-chuva. “Estou grávida e não posso tomar chuva, vou comprar qualquer um mesmo, já que é só para me proteger”, diz a dona de casa que, no momento da compra, não fez diferença entre as variedades de estilos e cores, mas sim de preço.