11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

As calçadas de Bauru interrompidas com placas de publicidade, em primeiro lugar o dinheiro, depois as pessoas


| Tempo de leitura: 3 min

Quero provar que esses pontos de ônibus são obra de maluco, tratando-se de uma mistura de desrespeito, arrogância, insensibilidade, mesquinhez, desorganização, inexperiência, caos mental, gambiarra despudorada, obra de gênio, que ficará na história para comprovar a incompetência generalizada que tomou conta da atual administração desta cidade de Bauru. Vou tocar num aspecto que passou e está passando despercebido, mas que vai dar o que falar logo, logo, porque os limites da normalidade foram ultrapassados em nome do lucro a qualquer preço. Para baixar custos e aumentar os lucros, realmente pisam no pescoço da própria mãe. O ser humano? Ora, ora, o ser humano.

O que vou expor a seguir é motivo suficiente para que todos os pontos de ônibus até hoje implantados na cidade sejam substituídos ou modificados, para que algo mais sério não aconteça. Vejamos o absurdo ao qual estamos submetidos.

Seria normal alguém construir várias paredes de um metro e vinte, mais ou menos, ao longo de um rio, dentro de suas águas? Seria obra de doido. Ninguém pode barrar o fluxo das águas, que teriam de desviar do obstáculo, aumentando a vazão nas laterais. E em dias de chuva forte?

Pois fizeram algo semelhante, só que nas calçadas da nossa cidade. As placas de publicidade, de aproximadamente um metro e vinte de largura, tomam um terço, e, às vezes, metade das calçadas. É inacreditável o que ocorre na avenida Rodrigues Alves. Como as placas estão no meio das calçadas, você tem de usar as laterais, como as águas de um rio, só que nas laterais há pessoas encontadas nas paredes, esperando os ônibus, e beirando a rua também. E mais. Há postes, latinhas de lixo, tudo isso impede o fluxo de pessoas. E esse caos que está se formando provém da obra de gênio que foi colocarem placas de publicidade no meio das calçadas, ao invés de um pilar de sustentação. Nada entendo de contrução, mas o que cabe num caso desses, para termos espaço para o fluxo de pedestres, é um elemento estrutural circular para sustentar a cobertura, um de cada lado, sei lá se de ferro, concreto, aço...

Essa gente é paga para resolver as questões e não complicá-las, como escancaradamente o fizeram. Outro dia eu não consegui passar em frente ao Frutal Lima. Tinha a opção de ir pela rua, mas resolvi pedir liçença por duas vezes. É puro Salvador Dali, que imaginou um relógio mole, mas não uma calçada interrompida com placas de publicidade. O ponto de ônibus da Duque de Caxias, ao lado do pronto-socorro, por exemplo. A placa tomou metade da calçada, ainda porque usaram o tamanho menor. Como se não bastasse tamanha aberração, essas placas também tem o sério inconveniente de tirar a visão de quem está querendo enxergar os ônibus que se aproximam. Com uma placa na frente, o que o usuário faz? Procura um jeito de sair da direção da placa para aumentar o campo de visão. E como se faz isso? Se estiver sentado tem de se levantar... Olha, vou parar por aqui porque já tá me dando náuseas. Essa embrulhada toda embrulha o estômago da gente.

Essas placas de publicidade terão de ser retiradas já dos lugares onde foram colocadas inadequadamente e substituídas por pilares ou colunas, ou coisa que o valha, fincadas em lugar discreto, como fazem em outras cidades da região. Calçada é lugar de gente, não de placa. (O mundo está tão doente que os piores abusos estamos considerando normal.) Coloquem esses placas no meio das ruas, para os carros desviarem delas. O cidadão é mais manso, não é? Somos pacíficos, não? O barco balança, balança, e pouca gente sente enjoo, não é verdade? Essa administração já é um pesadelo, um trambolho na vida dos bauruenses, tirando o máximo de nós. Agora estão tirando também o nosso espaço. Que vergonha, sr. prefeito!!! Que vergonha!!!

Julio Diogo