08 de julho de 2026
Geral

Com ataques, polícia fica em alerta


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Mesmo distante mais de 300 quilômetros da Capital, Bauru acendeu o alerta em relação à onda de ataques a policiais militares (PM) em São Paulo. Além de transmitir orientações de atenção e segurança às equipes de serviço, o Comando Geral da PM anunciou um reforço operacional em todo o Estado. Em Bauru, serão 14 patrulhas a mais.

Confirmados, são quatro policiais mortos na Capital fora do horário de serviço (leia mais na página 19). O mais recente ocorreu na noite de anteontem, quando três criminosos abordaram o soldado Paulo César Lopes Carvalho, lotado no 37º Batalhão, dentro de um mercado. Eles chegaram a chamá-lo pelo nome para ter a certeza de sua identidade. Houve tiroteio e o soldado conseguiu atingir um dos assaltantes, mas acabou baleado na cabeça. Ambos morreram. Os outros dois bandidos fugiram em uma moto.

O comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, anunciou ontem que, de forma preventiva, o policiamento será intensificado em Bauru. Apesar de não citar estrategicamente o número de policiais acrescido, ele afirma que serão 14 novas patrulhas.

“Em Bauru e região, não houve nenhuma ocorrência parecida com as da Capital. Então, é mais uma medida para ampliar a sensação de segurança. Têm dias que operamos com cerca de 50 patrulhas. Então, nos horários de pico, das 18h à 1h da manhã, iremos operar com aproximadamente 64 patrulhas”, aponta o coronel.

A intensificação começou ontem e deve continuar durante as próximas duas semanas. Garcia explica que estes “novos” policiais serão realocados dos setores administrativos do próprio batalhão, das companhias e do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4).

Questionado sobre o preparo destes policiais que estavam operando administrativamente, o coronel afirma que eles “estão completamente preparados para atuar nas ruas”. “Todos os nossos homens têm treinamento e carreira para atuar ostensivamente. Muitos, inclusive, estavam atuando ‘nas ruas’ há pouco tempo”, complementa.

Apesar de não revelar os pontos nos quais o policiamento vai ser intensificado, o comandante explica que serão os de maior movimentação nestes horários. Assim, afirma que a região do Shopping, da rodoviária, da Getúlio Vargas, da Comendador José da Silva Martha, entre outras, estão no cronograma.


Fantasma de 2006?


Em nota emitida ontem, a PM afirma que não há qualquer indício de que a morte dos policiais seja um ataque orquestrado de facções criminosas.  Porém, logo o “fantasma de 2006” é revivido, quando todo o Estado foi alvo de ataques atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC). “Estamos muito longe daquilo”, rebate o tenente-coronel Nelson Garcia Filho.

Na ocasião, em Bauru houve rebeliões, disparos contra delegacias da Polícia Civil, residências de um policial rodoviário e um agente penitenciário, o prédio onde funciona a Vara de Execuções Criminais, e o incêndio de cinco ônibus do transporte coletivo.

Apesar do aumento no efetivo, o comandante Garcia afirma que, exatamente pelo momento ser bastante diferente do vivido há seis anos, não haverá segurança nestes locais e nem em bases específicas da PM. “Os policiais são para oferecer segurança à comunidade e reforçar esta sensação de segurança. A Polícia Militar não faz segurança de prédios, mas sim das áreas em que ela estiver atuando”, conclui Nelson Garcia Filho.