São Paulo - As redes de supermercados apresentaram ontem as propostas que serão entregues ao Ministério Público Estadual e ao Procon-SP como alternativa ao fim da distribuição gratuita de sacolas plásticas. Dentre as medidas está a compensação do valor pago por sacolas feitas com materiais considerados menos agressivos ao meio ambiente, como papel, materiais reciclados e biocompostáveis. O reembolso ocorreria na próxima compra do consumidor na mesma rede, a partir da devolução da sacola acompanhada de um tíquete de caixa.
De acordo com o presidente da Associação Paulista de Supermercados (APAS), João Galassi, o principal efeito dessa medida será garantir que as sacolas utilizadas pelo consumidor não sejam eliminadas de forma inapropriada no ambiente.
Apesar da possibilidade de o material ser devolvido pelo cliente a cada compra, Galassi acredita que a iniciativa poderá se restringir a consumidores que esqueçam as sacolas reutilizáveis na ida aos mercados, e não que se torne uma prática comum. Por isso, para que a proposta atinja o objetivo esperado, os supermercados investirão em um trabalho de conscientização. “O programa educacional é o pilar de todos eles”, afirmou Galassi em entrevista à imprensa na tarde de ontem.
Na eventualidade de devolução da sacola feita com material alternativo ao plástico, cujo preço deve oscilar entre R$ 0,07 a R$ 0,25, o produto deverá ser destinado posteriormente pelos varejistas a iniciativas de reciclagem.
Além dessa proposta, a Apas deverá apresentar ao Ministério Público e ao Procon uma série de medidas na próxima segunda-feira.
Entre elas, estão campanhas de treinamento de funcionários, realização de workshops e seminários sobre varejo sustentável e a criação de um fundo socioambiental que viabilizaria iniciativas de educação socioambiental e o atendimento de populações atingidas pelos efeitos das mudanças climáticas. O fundo contaria com recursos dos próprios supermercados, e estaria atrelado ao gasto feito pelo varejo com a compra das sacolas de papel, produto reciclado e biocompostável.
Galassi acredita que os supermercados que tiverem condições de aplicar as medidas, principalmente a distribuição de sacolas alternativas, poderiam fazê-lo de forma imediata.
As propostas são uma resposta dos supermercados ao posicionamento do Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), no qual o procurador de Justiça conselheiro Mário Antônio de Campos Tebet afirmou que a simples suspensão da distribuição de sacolas era uma medida lesiva aos consumidores.
Saco de lixo
Os supermercados paulistas reduzirão preço dos sacos de lixo reciclados para incentivar o consumo do produto. Além de subsidiar os sacos reciclados, os supermercados vão procurar a indústria do plástico - para baratear o custo de sua produção - e o governo estadual - para pedir a redução de seu ICMS.