08 de julho de 2026
Internacional

Vice assume após impeachment de Lugo


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Assunção - O Senado do Paraguai destituiu ontem o presidente Fernando Lugo do posto, após considerá-lo culpado nas acusações de ter tido “mau desempenho das funções”. Por 39 votos contra quatro, os senadores saíram vitoriosos de um “julgamento político” que durou cerca de 30 horas (veja quadro).

Ontem mesmo, apenas uma hora e meia depois de sacramentado o impeachment, o vice Federico Franco, rompido com Lugo, foi empossado novo presidente do país.

Em discurso logo após a decisão, Lugo disse que a democracia paraguaia foi “profundamente ferida”, mas que se submeteria à decisão.

“Foram transgredidos todos os princípios da defesa, de maneira covarde, e espero que (os responsáveis) tenham a percepção da gravidade de seus feitos”, disse, do palácio presidencial.

“Como sempre atuei no marco da lei, me submeto à decisão do Congresso”, completou. Ele ainda pediu que seus apoiadores se manifestassem de maneira pacífica. “Que o sangue dos justos não se derrame nunca mais por interesses mesquinhos.”

Tão logo o impeachment foi formalizado, manifestantes entraram em confronto diante do Congresso Nacional com a polícia, que avançou a cavalo sobre a multidão. Não havia ontem relato de feridos.

A principal acusação apresentada contra Lugo foi sua responsabilidade por “negligência e inaptidão” no enfrentamento entre campesinos e policiais em Curuguaty, no último dia 15, quando morreram 17 pessoas.

A defesa, que contestou a constitucionalidade do processo de impeachment perante o Supremo, considerou o resultado “vergonhoso” e disse temer o “isolamento” do país na região, após o que classificam de golpe de Estado.

Os países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que enviaram seus chanceleres, entre eles o brasileiro Antonio Patriota, disseram ver risco à democracia no país.


Isolamento


Para o senador Carlos Filizzola, destituído como ministro do Interior após o conflito e uma das únicas vozes favoráveis a Lugo no plenário, as provas apresentadas aos senadores pela acusação tinham o “nível de um menino em idade escolar”, já que reuniam basicamente recortes de reportagens de jornais.

“Os países da região veem isso como uma quebra do processo democrático, e isso poderia conduzir a um isolamento do Paraguai”, afirmou Filizzola.

Ricardo Patiño, ministro das Relações Exteriores do Equador, afirmou que o impeachment de Lugo foi “escandaloso” e “ofensivo”.

Em comunicado lido ontem pelo secretário-geral da Unasul, a entidade afirmou que pode vir a interromper a cooperação com o país.

O deputado Salym Buzarouis, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), até então o principal partido apoiador de Lugo, negou ter havido uma ruptura democrática. “Aqui não há nenhum golpe, foi tudo 100% constitucional. Se um julgamento político é golpe de Estado, então os parlamentares (brasileiros) em 1992 já fizeram golpe de Estado”, disse, referindo-se ao impeachment de Fernando Collor de Mello.