Familiares, amigos e representantes da música homenagearam, ontem, o luthier bauruense Nilton José Fontoura de Camargo, que morreu no último domingo, aos 49 anos, vítima de um infarto fulminante. O velório foi realizado no Rio de Janeiro e a espera de uma semana foi necessária para que a filha única, Isidora, 17 anos, pudesse vir da Itália para acompanhar o sepultamento do pai.
Natural de Bauru, Camargo era considerado um dos melhores luthiers do Brasil. Especialista em confeccionar e restaurar instrumentos de corda, como violinos e violoncelos, ele manteve um ateliê no Rio de Janeiro durante os últimos três anos, depois de voltar da Itália, onde se formou pela renomada Escola Internacional de Luthieria de Cremona e morou grande parte de sua vida.
Antes de morrer, Camargo se preparava para restaurar um violoncelo precioso, que pertenceu ao maestro Heitor Villa-Lobos. Ele também prestava serviços para a Orquestra Sinfônica Brasileira, universidades e os mais respeitados maestros e músicos do país.
Durante o velório realizado na tarde de ontem, dezenas de parentes, amigos e representantes da música se reuniram para prestar a última homenagem ao luthier. Em seu perfil no Facebook, colegas lamentavam a perda precoce do bauruense.
“Além de um profissional respeitado, ele era uma pessoa muito querida no meio. Hoje (ontem), músicos da Itália fizeram uma homenagem e, daqui a 30 dias, os músicos do Rio de Janeiro pretendem realizar um concerto para agradecer à contribuição que ele deu para a arte”, contou a amiga de infância Ângela Marinho, por telefone.
Camargo saiu de Bauru aos 21 anos para aprimorar seus conhecimentos em luthieria na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, antes de ganhar o mundo e o reconhecimento pela excelência de seu trabalho. Era divorciado e, além da filha Isidora, deixa as irmãs Áurea e Lúcia e a mãe, Terezinha Barreto Barbosa. Seu corpo será sepultado às 11h de hoje, no cemitério do Araçá, em São Paulo.