10 de julho de 2026
Polícia

Ladrões vão agir nas avenidas hoje

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

O título desta reportagem pode parecer profético, mas não é. A afirmação é da Polícia Militar (PM), que traçou, na região central de Bauru, um perfil da incidência de roubos a pedestres, crime que vem preocupando a população. O que se constatou é que, durante as noites e madrugadas do fim de semana, incluindo as sextas-feiras, os ladrões elegeram as principais avenidas do Centro para agir.

Segundo o tenente Pedro Batista Lamoso Júnior, comandante da Base Centro da PM, os principais alvos dos bandidos são as avenidas Nações Unidas, Duque de Caxias, Rodrigues Alves e a Octávio Pinheiro Brisolla. Juntamente com elas, há a rua Treze de Maio, por conta da proximidade com a linha férrea.

“Nós traçamos nossos patrulhamentos de forma estratégica mediante aos mapeamentos que fazemos da criminalidade. Constatamos que, na região central, estas vias representam 60% do total de roubos a transeuntes”, destaca o comandante.

A explicação para esta realidade assustadora é o fluxo de “alvos em potencial” que passam por tais avenidas. “A maior parte dos crimes ocorre nas noites e madrugadas do fim de semana, começando sexta e terminando domingo. É que, nestes períodos, um grande número de pessoas acaba passando por estas vias”, observa.

Ao mesmo tempo em que pode ser visto como o motivo desta “preferência” da criminalidade, o fluxo de pessoas também ajuda a ilustrar quem são estes ladrões: os viciados no crack. A explicação lógica é que eles perdem as referências até no momento de cometer o crime. Assim, não ligam de roubar com veículos e pessoas passando bem ao lado.

“Eles ainda procuram agir em pontos com pouca luminosidade e nas proximidades de terrenos baldios. Porém, como quase 100% destas pessoas roubam para manter o vício, eles não têm mais estas referências. Eles não se inibem mais”, completa o tenente Lamoso Júnior.

O comandante ressalta que, depois de ter verificado esta realidade, a PM intensificou o patrulhamento nestas áreas, porém, pede mais atenção à população para dificultar a ação dos bandidos. Além de evitar transitar por estas vias, dicas como andar em grupo e não expor aparelhos eletrônicos (veja no quadro ao lado) são destacadas pela polícia.


Perigosos

Como estão muitas vezes sob o efeito do crack quando cometem os roubos, os ladrões podem ter atitudes imprevisíveis. Por isso, eles são considerados perigosos pela polícia, que recomenda à população nunca reagir durante assaltos.

“Geralmente eles usam armas brancas, como facas, para abordar os pedestres. Em outras ocasiões, usam pedaços de vidro ou mesmo pedras”. Este tipo de arma também dificulta a abordagem policial, uma vez que é fácil o descarte desses objetos assim que o patrulhamento aparece.

E se as avenidas principais são as prediletas dos ladrões, o produto a ser levado também foi traçado pela PM. O primeiro é realmente o celular. Conforme o JC divulgou no mês passado, por conta disso, empresas de seguro já fazem apólices para aparelhos celulares.

“Depois do celular, o bandido procura pela carteira da vítima e pelo dinheiro. A arma utilizada, o modo de operação e o objeto levado mostram que agem realmente por conta do vício”, conclui o tenente Pedro Batista Lamoso Júnior, comandante da Base Centro da PM.


Ações sociais são apontadas como solução

A preocupação com os roubos a transeuntes não é somente da Polícia Militar (PM). Pellegrino Bacci Neto, do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul, explica que a entidade está atenta a esta questão. Porém, ele ressalta que a complexidade foge de uma solução apenas ostensiva.

“É uma situação muito difícil. Como é evidente, o crack está por trás de tudo. É o crack que motiva um indivíduo a roubar qualquer coisa, como vemos acontecer. E enfrentar esta droga não é uma questão apenas de polícia. É uma questão social e de saúde pública”, destaca.

Periodicamente, o Conseg se reúne com a polícia para discutir ações e ampliar a segurança. O tenente Pedro Batista Lamoso Júnior, comandante da Base Centro da PM, concorda com esta visão múltipla do problema. Assim, ele explica que, além do patrulhamento ostensivo, a corporação faz, juntamente com a Secretaria de Bem-Estar Social (Sebes), operações de reinserção junto aos “craqueiros”.

“Fazemos, durante as manhãs, operações para recuperar este viciado. Ali, é ofertado banho, café da manhã e palestras. Além disso, verificamos que a maior parte que está ali não é de Bauru. É oferecida ainda a passagem para ele retornar à sua cidade de origem. Mas isto tem efeitos em longo prazo”, completa o tenente.


Vizinhança solidária

Um dos projetos que a Polícia Militar (PM) pretende adotar na região central de Bauru nos próximos meses é o “Vizinhança Solidária”. A iniciativa, que já funciona em outras áreas do município, visa integrar a população para que um morador possa “monitorar” o patrimônio do outro. “Por exemplo, quando uma pessoa não está em casa, o vizinho fica atento para ver se há algo suspeito. Parece algo simples, mas que aumenta muito a segurança. A polícia funcionaria como facilitadora deste processo”, explica o tenente Pedro Batista Lamoso Júnior.


Roubos

A preocupação com roubos a pedestres é justificada em Bauru. Enquanto os demais índices apresentaram diminuições, o número de assaltos - tanto a transeuntes quanto a residências e comércios - aumentou este ano. Em 2011, segundo dados da Secretária de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), foram 393 ocorrências de roubos. Este ano, no mesmo período, são 449 casos.