Mais de 79,5 mil residências de Bauru ficaram temporariamente sem energia no ano passado por conta de curtos-circuitos provocados por pipas. Segundo a CPFL, foram registradas 193 ocorrências no período, uma média de um acidente a cada dois dias, que tendem a se intensificar no período de férias escolares. Até maio de 2012, a média se mantém, com 68 interrupções no abastecimento de energia, que afetou mais de 37 mil clientes.
Um brinquedo pequeno e de aparência inofensiva, a pipa pode se transformar em um grande vilão se utilizada de forma inadequada, causando acidentes e desligamentos. Muitas pipas ficam enroscadas nos fios e continuam provocando interrupções nos meses seguintes. Isso ocorre porque a linha, enrolada nos cabos elétricos, se torna boa condutora de energia quando chove, conforme alerta a CPFL.
Fator agravante do risco verifica-se quando a linha da pipa contiver cerol (mistura de cola, limalha e vidro moído). O cortante, em contato com cabos elétricos, pode ocasionar curto-circuito e descarga elétrica, além de possível rompimento do fio, provocando corte de eletricidade.
Se o cabo atingir a criança ou qualquer outra pessoa, o acidente pode ter graves consequências. No Estado de São Paulo, utilizar cerol é prática considerada crime porque, além de trazer riscos para as crianças que brincam com a pipa, também pode ferir e até matar pedestres e motociclistas que estiverem por perto.
Na última segunda-feira, um pedreiro de 35 anos foi atingido por uma linha com cerol quando dirigia sua moto pela rodovia Cezário José de Castilho, a Bauru-Iacanga. Ele e o passageiro caíram da moto após o impacto e, por sorte, tiveram apenas ferimentos leves. Os responsáveis pelo uso do cortante não foram identificados.
“Rabiolas”
Segundo orientações da CPFL, o ideal é soltar pipas longe da rede elétrica. Se o brinquedo ficar preso na rede, a recomendação é não tentar resgatá-lo. A tentativa de recuperação pode provocar acidentes de grandes proporções, inclusive com vítimas, além de interrupções no fornecimento de energia.
A companhia destaca ainda que os pais das crianças devem assumir a responsabilidade de orientar os pequenos a brincar somente em praças, parques ou campos de futebol onde não existam condutores elétricos nas proximidades. Outra dica é evitar a utilização de “rabiolas”, que se prendem facilmente aos fios elétricos, desligando o sistema e provocando choques.
Também é recomendado não utilizar papel alumínio na confecção da pipa, já que o material, em contato com os fios, provoca curtos-circuitos. As crianças também não devem soltar pipas na chuva, porque o brinquedo funciona como para-raios, conduzindo energia.
Nesta semana, a reportagem do JC se deparou com um garoto que brincava com uma pipa no meio da rua, no Jaraguá, sem prestar atenção à movimentação de veículos. Ao notar que a criança não percebeu a aproximação da viatura, o motorista, por prudência, chegou a parar o carro para evitar um acidente.