08 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Moacyr caram júnior

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

‘Milhas e milhas de direito’

Advogado e professor de direito, anualmente Moacyr Caram Júnior vai para o México em missão jurídica para ajudar no aprimoramento das leis do país. Professor convidado da Universidade de Guadalajara, ele agora aguarda o resultado de uma proposta para fazer o mesmo trabalho em Angola: “É um trabalho importante e esses países vivem algumas situações parecidas com as brasileiras”.

O advogado e professor também tem um pouco, ou muito, de músico e motociclista. A paixão pelo veículo de duas rodas veio ainda na adolescência: “Confesso não me lembrar de um só momento em que não tive moto”.

Quanto à música, ele conta que sempre teve influência na família. Mas foi com o violão que fez parceria e viveu um momento ímpar de sua vida nos festivais de 1970 e 1980. “A gente se reunia para tocar e discutir política”.

Com quase três décadas dedicadas ao direito, ele também coleciona viagens que fez e faz a trabalho e como turista. E não faltam histórias para este apaixonado por gastronomia e enologia: “Encontramos policiais federais do presidente mexicano Calderon no caminho entre Colotlan e Zacateca. Fomos parados e questionados, mesmo com o carro da Universidade de Guadalajara. Um sufoco”. Leia mais sobre esta e outras histórias a seguir.

 

Jornal da Cidade - Quando criança, qual era o seu sonho profissional?

Moacyr Caram Júnior - Na verdade, eu sempre quis ser músico, principalmente porque tive uma influência musical muito grande na minha família, que sempre teve compositores, tocadores e professores de música. Aprendi de tudo um pouco, mas foi no violão que eu entrei de cabeça, principalmente na época da escola e faculdade. Eu sou da época dos festivais da década de 1970 e 1980. Nós compúnhamos músicas para os festivais. Participei de muitos deles e até tivemos êxito em alguns com músicas minhas, de amigos, de primos, de parentes... Era muito interessante e aquele foi um momento ímpar na minha vida. Não tínhamos uma banda, era um som acústico com cordas e percussão...


JC - Você chegou a tocar em bares?

Caram - No começo, sim. Mas isso foi na época de escola, nada profissional. Mas foi muito legal. Eu era dedicado aos movimentos estudantis e a música fez parte dessa ideologia, do movimento contra a Ditadura Militar... A gente se reunia para tocar e discutir política. Foi um momento muito rico, inclusive em Bauru. 


JC - E quando o direito passou a fazer parte dos seus dias?

Caram - Meu pai era ligado à área. Além da música, também tive influência da família na política e no direito. Mas eu também tinha muita vontade de fazer jornalismo. Eu queria ser jornalista ou músico, ou jornalista e músico. Mas acabei ouvindo o meu pai.


JC - Está profissionalmente realizado?

Caram - Eu tive muita sorte com o direito. Sou realizado e adoro. Sou advogado já há 27 anos e também sou professor. Eu fiz estágio e aprendi muita coisa como o doutor José Cardoso Margarido, um dos melhores advogados que tivemos em Bauru. Foi assim que comecei minha carreira como advogado.


JC - Como chegou às salas de aula?

Caram - No início eu não tinha pretensão de ser professor. Montamos o primeiro cursinho preparatório para as carreiras jurídicas, em Bauru, e me despertei para o magistério. Aí fui fazer o mestrado em direito processual civil e depois o doutorado na mesma área.


JC - A carreira como professor proporciona muitas viagens, certo?

Caram - Sim. Faço muitas palestras. No México, por exemplo, eu sou professor convidado da Universidade de Guadalajara. Recentemente eu tive uma proposta ainda não efetivada para ir para a Angola por causa desse meu trabalho de doutoramento, onde eu falo e analiso questões ligadas aos devedores brasileiros. Também já levei esse trabalho para Portugal.


JC - Já passou por poucas e boas por causa do trabalho?

Caram - Tenho uma história inesquecível. Eu e o Roberto Lemos, que é juiz federal, estávamos saindo de Colotlan para Zacateca, no México, para comer e beber alguma coisa. Estávamos cansados e, quando passamos por uma rodovia, vimos três carros da Polícia Federal, e o México está em estado de guerra. Bom, vimos os policiais mascarados e armados até os dentes e um professor mexicano que estava conosco nos disse para não tiramos fotos. Considerando a situação de criminalidade do México, talvez aquela seja uma das mais violentas polícias do mundo. E o Roberto acabou tirando uma foto. Eles nos fecharam com armamento pesado e eu, que nunca fui abordado na vida, abri a porta do carro. Naquele momento eles deram um passo para frente. Você não pode fazer isso, eu poderia ter sido metralhado naquele momento. Aí um professor desceu e disse que erámos professores brasileiros, explicou a situação e eles foram ficando mais calmos e entenderam. Depois até pedimos para fazer fotos com eles. Mas, olha, foi um susto. E hoje é engraçado (risos). 


JC - Há aquela viagem inesquecível?

Caram - Para falar a verdade sou fascinado por Londres. Acho que não podemos passar essa vida sem conhecer aquela cidade pelo estilo e peculiaridade londrino. Aqui, no Brasil, gosto muito de Monte Verde, na Serra da Mantiqueira. Nessas próximas férias estarei por lá. Também sou apaixonado pelo Nordeste, meus pais moraram lá, por isso um filme que eu gosto muito é “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, do Glauber Rocha, ele explica meu querido Nordeste.


JC - Disseram-me que você é um ‘provador’ de comida e de vinho...

Caram - (Risos) Sou, sim. Eu adoro comer. Só não como carne vermelha. Isso começou na juventude, era um modismo da época e não consegui voltar a comer carne. Por causa das viagens, tanto a trabalho quanto a passeio, eu procuro comer bem. E como a gastronomia está diretamente ligada à degustação de vinho, ele é uma paixão enlouquecedora. Eu viajo muito pensando na comida e nos lugares onde vou poder encontrar bons vinhos. Em São Paulo, por exemplo, eu sempre acho restaurantes novos. Antes de viajar eu procuro lugares de boa comida e bons vinhos pela Internet. Sou um curioso da gastronomia e da enologia (risos). E sempre que eu viajo e posso, eu faço turismo.


JC - E por falar em paixões, de onde veio a sua por motocicletas?

Caram - Gosto de motos desde os 15 anos de idade, quando eu tinha uma daquelas motos pequeninas. Mais tarde, eu tive uma incursão com o motocross, fiz muitas trilhas...Isso com moto “de barro”. Não consigo me lembrar de um só momento da minha vida que eu não tive moto. Já mais velho eu voltei a fazer trilhas e ainda viajo muito com os amigos. A impressão que eu tenho é que a adrenalina fica muito mais interessante nessa idade. Há alguns anos eu comprei uma moto de estrada, mas não vou muito longe, não. Gosto muito de viajar para praias e montanhas. Logo farei a Serra da Mantiqueira inteirinha. Tenho curtido muito isso com os amigos, principalmente aos finais de semana e feriados. 


JC - Você também cita “esportes” como hobby. Qual é a modalidade praticada, atualmente?

Caram - Olha, eu sou louco por esportes e me quebro inteiro por causa da minha idade (risos). Jogo tênis desde criança. Eu sou de Tupã e lá o tênis de campo tem grande influência. Sou aficionado por lutas e aprendi judô, jiu-jitsu, caratê e agora estou me dedicando ao kickboxing, que é muito bacana.


JC - Além de gostar de ler, você tem obras publicadas e divulgadas no Exterior.

Caram - Sim. Tenho alguns livros e artigos lançados, mas somente na área do direito. É o que eu sei fazer na minha vida, principalmente nas áreas de direito civil e processual civil, áreas que eu venho atuando já há muitos anos na advocacia e no magistério, embora também faça um pouco de direito trabalhista. Eu gosto muito de ler e cito o livro “História da Riqueza do Homem”, do Leo Huberman, como um de meus preferidos. Com esse livro a gente passa a entender o mundo, sua evolução e os sistemas de governo. Ele é escrito em uma linguagem bem bacana, bastante acessível a todos.


JC - Você tem novos projetos?

Caram - Meu projeto é continuar trabalhando. Gosto do que eu faço. Hoje minha vida no magistério está pautada em graduação, em Bauru, e pós-graduação em viagens no Estado, Brasil e até fora dele. Gosto muito de esportes e quero manter a saúde e, sobretudo, quero colaborar com o Brasil. Minha parte é com a formação de alunos, formar bons profissionais e grandes pessoas. Essa é nossa obrigação. Não podemos nos privar dessa incumbência.


JC - Ser professor é um prazer?

Caram - O que eu gostaria de ressaltar é a importância de criar e formar brasileiros críticos. Acho que a imprensa e o Ministério Público têm contribuído muito para que a gente consiga realmente aperfeiçoar a democracia neste País, mas somente vamos conseguir fazer isso se tivermos pessoas críticas, gente que não peça bênção para tudo e que não diga amém para tudo. Nós temos de brigar e fazer valer os nossos direitos. Só assim as coisas vão melhorar.

Perfil


Nome: Moacyr Caram Júnior

Idade: 52 anos

Signo: Câncer

Local de Nascimento: Tupã/SP

Filhos: Nirave Reigota Caram

Hobby: Motociclismo, música e esportes

Livro de cabeceira: “História da Riqueza do Homem” e “Psicologia do Esotérico”

Filme preferido: “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Bagdá Café”

Estilo musical predileto: Blues e baião

Time: São Paulo

Para quem dá nota 10: Para os educadores sérios do Brasil

Para quem dá nota 0: Para a elite brasileira descomprometida com o País

E-mail: mcaramjr@uol.com.br