Simplesmente, perguntar
Infelizmente, nós brasileiros não fomos educados para perguntar. A escola nos ensinou muito bem a responder. Tanto é que não me lembro de ter feito alguma prova escolar em que as respostas viessem prontas e deveria elaborar perguntas.
A ditadura militar, por sua vez, também contribuiu em muito para calar o questionamento. Devido a isso, é mais do que normal encontrar, nas diversas instituições da sociedade, gente que não pergunta.
Uma empresa evoluída que se preze, cria estímulo entre os seus colaboradores para a prática de pergunta sem receio.
Considerando que cada vez mais mergulhamos em uma hipercompetição e que as organizações, em sua maioria, concentram energia apenas no que fazer, o ideal seria perguntar por que não focar também no "que não fazer", bem como "o que fazíamos de positivo e deixamos de fazer". Isso faz uma grande diferença.
Recentemente, em um encontro de metas com um grupo de representantes comerciais de determinada organização, ouvi a justificativa de que o mercado estava em recessão.
Nessa linha de raciocínio de indagar mais, perguntei: é correto deixar o mercado levar a empresa, no estilo da famosa música de Zeca Pagodinho com o seu refrão "deixa a vida me levar", e cruzar os braços?
É correto cruzar os braços como o técnico Muricy Ramalho, do Santos, na partida contra o Barcelona, na final do último Campeonato Mundial Interclubes?
Devido a estas perguntas, o grupo formulou estratégias inovadoras que possibilitou a recuperação de vendas nos meses subsequentes. Se existe problema, existe solução. Neste caso, a saída foi à inovação.
O não conformismo estimula perguntas, que por sua vez estimula a criatividade. A cura, sem sombra de dúvida, também está na pergunta.
Davison de Lucas - Diretor da M.Davison & Associados Consultor Organizacional e Palestrante
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