Egli Muniz foi um raio de luz neste mundo obscuro. Quando a vi pela primeira vez, nos corredores da faculdade, admirei-lhe a postura e a elegância. Logo descobri que estes atributos iam muito além. A elegância era sua condição para a vida, para as turbulências e intempéries que sempre enfrentou de cabeça erguida.
Quantas vezes deve ter chorado e sofrido no silêncio de sua intimidade, mas diante de todos sempre manteve a dignidade e a certeza de que precisava nos fortalecer com seus ideais. Eu sempre lhe dizia: "Quando eu crescer quero ser igual à senhora!". E ela sorria, certamente sem ter a dimensão do quanto eu ainda precisava dela. Em meu egoísmo, eu queria ter a certeza de que ainda a teria por muitos anos.
Não foi muito o tempo que tive para desfrutar de sua infinita fonte de conhecimentos, que ela tão generosamente compartilhava com seus pupilos, mas o suficiente para que ela se transformasse para mim numa inspiração. Para quem teve o privilégio de tê-la como mestra e amiga, ela deixa um legado de sabedoria, de inteligência, de dedicação a uma causa, de lutar pela condição humana, de acreditar que a pobreza, a miséria, os desacertos e disparidades sociais não devem ser considerados naturais. Por causa de pessoas como ela o mundo é um lugar melhor para se viver.
Felizmente, temos sua obra - que passarei os próximos meses e anos lendo - para nos orientar, nos guiar pelos caminhos que ainda vamos trilhar através da luz que brilhará para aqueles que sabem para onde devem olhar. Esta é uma forma de honrar sua memória e fazer com que a saudade do que foi ceda lugar à esperança do que será.
Com ternura, Egli ressurgirá do fundo de nossa saudade mais amável ainda, pois agora habita outro lar em sua sagrada importância e beleza. Estará mais próxima de nós, pois agora compreendemos o sentido de suas palavras, o segredo do seu silêncio, os propósitos do seu fazer.
Sempre sentiremos o mistério da morte como precoce e indevido, pois nos rouba aqueles que tanto amamos, pelo que ainda queríamos viver a seu lado. No crepúsculo do outono, caiu sobre nós o frio do inverno que levou Egli para além dos horizontes desse mundo rumo à morada da luz, seguindo os acenos da eternidade para o coração do Deus para quem ela retornou.
Por causa dela olho para trás com gratidão e para a frente com fé. A ela dedico a profissional que um dia me tornarei, e para ela deixo as palavras de John Donne, poeta inglês do século 16: "A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti".
Marta Helena Meireles de Resende - Aluna do Serviço Social ? ITE