A coluna Entrelinhas da edição de ontem revelou o absurdo a qual foi submetida a dona de casa Cássia Geracina da Silva, 37 anos. Com suspeita de câncer no rim, ela recebeu, no Hospital Estadual, encaminhamento para biópsia na próstata, órgão exclusivamente masculino. Há nove meses, ela aguarda um diagnóstico nas filas de espera do Sistema Único de Saúde (SUS). O medo e o histórico tornam a situação da mulher ainda mais delicada.
Em agosto de 2008, Cássia perdeu sua filha Adrielli, vítima de câncer no cérebro. A criança faleceu aos oitos anos, quase dois anos depois de lutar contra a doença. Além disso, são muitos os casos de familiares que desenvolveram tumores em órgãos diversos.
A suspeita da doença em Cássia surgiu em outubro do ano passado, quando sentiu desconforto diferente das cólicas renais que costumava ter. No Pronto-Atendimento, um exame de ultrassom detectou a presença de uma massa do tamanho de um limão na região renal.
A consulta junto ao Serviço de Orientação e Prevenção ao Câncer (SOPC), unidade municipal de Saúde, foi agendada apenas para o dia 10 de fevereiro, quando Cássia foi atendida pelo médico oncologista – e vereador – Paulo Eduardo de Souza (PSB).
Da unidade municipal, a paciente recebeu o encaminhamento para o Hospital Estadual, onde seria submetida a uma tomografia.
No entanto, para a sua surpresa e indignação, foi avisada de que o exame seria feito no dia 1º de junho, mas, antes, deveria ser internada, no dia 28 do mês anterior, para a realização de uma biópsia na próstata no dia 31. “Chegaram a me ligar para isso e, então, vi a ficha com a etiqueta que encaminhava para o procedimento”, conta Cássia.
Diagnóstico descarta tumor
Desesperada com a falta de diagnóstico e revoltada com o erro no agendamento de seus exames, Cássia da Silva procurou, anteontem, o vereador Amarildo de Oliveira (sem partido), em busca de ajuda. O parlamentar fez a ponte com o médico e colega de parlamento, Paulo Eduardo de Souza (PSB), que solicitou o resultado da tomografia feita na paciente no HE e a atendeu na tarde desta terça-feira.
Cássia foi tranquilizada pela constatação de que a massa identificada pelo ultrassom é um cisto e não um tumor. No entanto, o cisto pode ser benigno ou maligno. Por conta disso, na quinta-feira, a paciente passará por uma nova consulta com um médico especialista em oncologia e ginecologia no SOPC.
Erro de digitação
De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Estadual, a demanda para os exames chega do SOPC, que é, posteriormente, informado com a data em que os atendimentos são agendados para que a unidade municipal avise os pacientes. O hospital alega que o encaminhamento equivocado foi motivado por um erro de digitação de funcionários, um falha administrativa.
As etiquetas coladas nos pedidos de exame são geradas a partir de códigos específicos para cada um dos procedimentos. O agendamento, segundo o HE, foi feito às 17h do dia 10 de maio, mas às 17h03, o funcionário teria percebido o erro e o corrigido a partir da impressão de uma nova etiqueta.
Segundo a assessoria, a correção por parte do funcionário deveria sanar o problema, mas não foi o que ocorreu de acordo com o relato de Cássia.
O HE diz ainda que a etiqueta errada não pode ser retirada, pois danificara o papel, mas foi rasurada, tornando o código inelegível.
O hospital também esclarece que antes de qualquer procedimento cirúrgico, como é o caso da biópsia, são realizadas consultas pré-cirúrgicas com médico e enfermeiros que detectariam um possível erro no pedido.
O HE solicita ainda que a paciente entre em contato com o Serviço de Atendimento ao Usuário e formalize a queixa para que o caso seja devidamente apurado pela auditoria da instituição.