09 de julho de 2026
Regional

Presos por desvio entregam cargos

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

São Manuel – Presos há uma semana, desde que foi deflagrada a “Operação Paraíso” visando desarticular suposto esquema de desvio de recursos da saúde em São Manuel (69 quilômetros de Bauru), Paolo Bruno, diretor de Negócios Jurídicos da prefeitura, e José Fernando Ardemani, diretor de Administração e Finanças, pediram exoneração dos cargos em comissão que ocupavam.

Ontem, a prefeitura informou que os novos titulares das pastas ainda não foram definidos. Os dois, ao lado dos empresários Manuel Seabra Suarez e Marcela Badaró Dias, da Empresa Paulistana de Saúde Ltda., e do diretor de Saúde, Carlos Marcílio Balestrero Júnior, foram presos no último dia 28, durante operação coordenada pelo Núcleo Bauru do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP). Por colaborar com os trabalhos, Balestrero Junior foi solto no mesmo dia.

Com apoio de mais de 70 agentes da Polícia Federal de Bauru, Polícia Militar, Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil da capital e Gaeco de Salvador, na Bahia, promotores de Justiça do Gaeco de Bauru cumpriram 12 mandados de busca e apreensão em São Manuel, São Paulo e Salvador, além de vários mandados de prisão. No total, foram apreendidos cinco carros – um deles importado –, duas motocicletas, avaliadas em mais de R$ 20 mil cada; documentos, relógios no valor de R$ 120 mil, joias, dinheiro, documentos e computadores.

Os suspeitos estão com os bens indisponíveis por ordem da Justiça. Inicialmente, a prisão temporária dos diretores e empresários seria de cinco dias. Porém, para que as testemunhas do caso possam ser ouvidas, o MP solicitou à Justiça a prorrogação das prisões por mais cinco dias. O pedido foi aceito.


Gerenciamento

O suposto desvio – que pode chegar a R$ 1 milhão em apenas quatro meses – teria ocorrido a partir de contrato assinado entre a prefeitura de São Manuel e Irmandade da Casa Pia São Vicente de Paulo, sem licitação, para o gerenciamento dos Programas de Saúde da Família (PSFs) no município. O hospital, por sua vez, teria subcontratado a Empresa Paulistana de Saúde para os serviços, que não teriam sido prestados.

O Gaeco apura ainda suposta corrupção e “indícios concretos de fraude” em concurso da prefeitura. Ação civil também é movida contra o prefeito em exercício Vilson José Innocenti (PSDB), diretores e empresas envolvidas. Nela, o MP pede que o chefe do Executivo seja afastado do cargo. Se o prefeito em exercício for afastado, o prefeito licenciado do cargo desde novembro do ano passado por motivos de saúde, Tharcílio Baroni Júnior (PSB), irá assumir a prefeitura.