Igaraçu do Tietê - Imagine uma cidade banhada pelo Tietê, abastecida pelo Aquífero Guarani e... sem água. O absurdo virou realidade durante 48 horas – e novo risco de desabastecimento não está descartado em Igaraçu do Tietê. Tudo por causa de briga entre CPFL Paulista e Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saee) que se arrasta desde 2003.
A concessionária de energia fez o que julgou adequado: por não receber uma dívida de R$ 5 milhões, cortou o fornecimento de energia para três das cinco estações de captação do Guarani – considerado mais adequado do que o rio para facilitar a purificação da água bombeada até reservatórios e, de lá, para casas. As três principais estações, diga-se.
A prefeitura recorreu a caminhões-pipa (quatro deles) e a um gerador emprestado, mas não evitou as torneiras secas para cerca de 20 mil dos 23.500 habitantes de Igaraçu, segundo o próprio Saee. Precisou uma decisão sair do Fórum da vizinha Barra Bonita para apaziguar a situação.
Por liminar, o juiz Rogener Garcia Carniel determinou a retomada do fornecimento de energia – cumprida à risca pela CPFL.
Porém, o mesmo magistrado também considera fundamental o acerto de contas da municipalidade com a concessionária – sob pena de multa. “Essas 48 horas foram o ‘inferno de Dante’. Hoje, está ‘céu de brigadeiro’”, disse ontem o diretor do Saee, José Maria Capelasso.
Números da discórdia
Agora, haverá uma reunião de conciliação na segunda quinzena de julho. “Vamos conversar, mas queremos deixar bem claro alguns pontos”, adianta o diretor. Segundo ele, são R$ 937 mil a pagar relativos a 2011 e 2012 – e não R$ 5 milhões.
“Já pagamos dezenove parcelas disso aí. Não se fala mais em cinco milhões de reais, pelo amor de Deus!”.
Produção e polêmica
Por dia, Igaraçu produz 9 milhões de litros de água, o que seria capaz de abastecer casas de 40 mil moradores. Por assessoria de imprensa, a CPFL Paulista ressalta que “já investiu mais de R$ 1,5 milhão em projetos para melhorar a eficiência energética das unidades consumidora do Saee de Igaraçu e auxiliar esta autarquia pública a reduzir os gastos com o consumo de energia elétrica”. O Saee não concorda justamente com isso. “Esse compromisso da eficiência energética ficou na conversa”, avalia o diretor do serviço, José Maria Capelasso.
A CPFL também diz que está recorrendo contra a liminar do juiz de Barra. Sinal de que muita água ainda vai passar debaixo dessa ponte.