Correria e improviso foram duas das situações vivenciadas pelos dois candidatos que detêm o maior tempo de TV na eleição 2012 em Bauru. Rodrigo Agostinho (PMDB) e Chiara Ranieri (DEM) ainda não tinham sequer a versão original revisada dos seus planos de governo até horas antes da entrega do documento exigido pela Justiça Eleitoral no ato do registro das candidaturas. Clodoaldo Gazzetta (PV) e Paulo Sérgio Martins (PSTU) tinham o documento pronto anteontem. De qualquer forma, o “plano” de Martins é, no máximo, um breve comentário de pontos genéricos.
O Jornal da Cidade solicitou aos candidatos, no início da tarde de quarta-feira, o envio de seus planos de governo. Chiara conseguiu enviar apenas no período da noite e, na tarde seguinte, mandou outro documento atualizado nas últimas horas.
A candidata da coligação ‘Bauru Merece Muito Mais’ alegou que as propostas foram discutias e reavaliadas por seu staff de campanha durante a tarde de quarta-feira, argumentando que a elaboração do documento estava dentro do prazo exigido pela justiça.
Para a elaboração de seu programa, a demista apostou em um formato conciso, no qual as propostas estão organizadas em tópicos, genéricos, em sua maioria, divididos em 14 temas principais.
Desde o final de semana, Chiara tem relatado a concentração de esforços na formulação de seu plano, bem como seu principal adversário, Rodrigo Agostinho. Ambos justificaram o grande volume de tarefas exigido na semana e nas vésperas do registro de candidaturas para o exercício do “última hora” no cumprimento do plano.
Já está lá
Situação ainda menos compreensível é a de Agostinho. Na condição de prefeito, Rodrigo tinha a obrigação de ter seu programa de governo pronto com mais antecedência. Mais do que o documento apresentado na disputa das eleições de 2008, ele tinha totais condições de, previamente, comparar o que foi e o que não foi executado, bem como o que precisa ou não ser repensado.
Além disso, o JC apurou que, diferentemente dos outros candidatos, o prefeito conta com o dia a dia no exercício da função dentro da estrutura pública, o que gera ampla vantagem para a elaboração de seu plano. Sem contar que o prefeito, no exercício do cargo, recebe relatórios (ou diz que recebe) de secretarias municipais e órgãos da administração indireta com informações sobre ações executadas ou a realizar.
Suas propostas também estão divididas exatamente de acordo com as pastas do poder público municipal, seguindo o mesmo modelo de tópicos apresentado por Chiara Ranieri.
O prefeito, candidato à reeleição pela coligação ‘Bauru de Todos’ enviou seu programa ao JC apenas no início da tarde de quinta-feira, alegando problemas na formatação do arquivo, que teria ‘ficado muito grande’.
Explicativo
Clodoaldo Gazzetta, apropriando-se de propostas já apresentadas em suas participações anteriores na disputa pela Prefeitura, apresentou o mais extenso dos programas de governo, com 39 páginas. O documento trata de questões estruturais e temáticas e, além dos tópicos, tenta explicar a execução das ideias.
Carta de intenções
Já o plano apresentado pelo PSTU, de Paulo Sérgio Martins, é o mais enxuto de todos, com apenas três páginas, tratando, de forma genérica, dos temas que pautam os discursos da esquerda, sem se atentar a questões específicas da gestão pública municipal.
Trata-se, praticamente, de uma repetição das propostas já colocadas pela coligação formada por PSOL e pelo próprio PSTU em 2008, com ideias centrais, mas sem atacar temas ou ações específicas da administração local.