O 1º Distrito Policial de Crimes Ambientais de Bauru abriu investigação para apurar uma denúncia sobre maus-tratos a animais. O caso foi registrado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) em 29 de maio deste ano em uma chácara localizada na região sudeste da cidade. Para as ONGs S.O.S. Gatinhos e Naturae Vitae, o caso seria infundado.
Por meio de denúncia anônima, uma equipe de funcionários do CCZ compareceu ao local e emitiu um auto de infração. Na ocasião, os responsáveis não estavam na chácara, localizada no Vale do Igapó, onde mais de dez cachorros de diversas raças teriam sido vistos brigando e em situação de confinamento em um espaço de aproximadamente 4 x 8 metros, conforme consta nos registros.
Segundo o auto de infração emitido pelo CCZ, os agentes teriam observado fezes em diversos locais e constatado ferimentos em alguns animais. Ainda de acordo com o registro, o responsável pelos cachorros já teria sido autuado pelo órgão em 2010.
Sobre o caso, o comerciante João Baptista de Souza, responsável pelos animais, esteve no CCZ e se prontificou a tomar providências quanto à limpeza e a agressão entre os cachorros, mas não emitiu defesa contra a autuação.
Com a emissão do documento, o comerciante teria um prazo de 15 dias para se manifestar até a data da próxima inspeção, bem como para levar os animais feridos a uma clínica veterinária.
Consultada quanto à resolução do caso, a delegacia de crimes ambientais afirmou que deverá investigar o caso e oficiar o CCZ nos próximos dias. Os evolvidos serão intimados para averiguação.
“Somente quando as partes forem ouvidas, será apurado se houve ou não o crime de maus-tratos”, aponta o delegado Dinair José da Silva.
Quanto à autuação anterior do comerciante, o delegado frisou que, na ocasião, esteve na casa apontada pela denúncia, mas não teria encontrado vestígios de maus-tratos aos animais.
Respostas
Questionado quanto à acusação, o responsável pelos cachorros alegou que os animais seriam dóceis, que o local onde residem teria cerca de mil metros e que a limpeza seria feita por ele diariamente.
Sobre os ferimentos, Souza afirma na época da inspeção do CCZ, os cães estariam se adaptando ao local e, por isso, estariam nervosos.
“Eu tinha acabado de me mudar para dar uma vida melhor para eles na chácara. É triste ser acusado de uma coisa dessas”, pontua o comerciante, ressaltando que a presença de um estranho no local poderia ter deixado os animais ainda mais irritados.
Ainda de acordo com Souza, um cão da raça rotweiller, que na ocasião estaria com ferimentos nas patas por conta de uma alergia, teria sido recolhido em uma varanda há alguns dias.
Já sobre um pastor alemão, que também teria sido visto machucado pela equipe do CCZ, o responsável alega que o animal foi resgatado na mesma semana da inspeção de um galpão abandonado, no qual viveria por anos em situação de estresse.
Apesar dos ferimentos, o comerciante afirma que os cachorros não foram levados para uma clínica veterinária por falta de tempo, decorrente de problemas na saúde dele.
Para as representantes das ONGs Naturae Vitae, Bórika Hegyessy, e S.O.S. Gatinhos, Sandra Maria Ariede, a denúncia seria infundada.
“Conheço o trabalho do João de perto e isso é uma inverdade”, ressalta Sandra. “Quando a denúncia foi feita, ele tinha acabado de se mudar para chácara e os cachorros estavam em fase de adaptação”, finaliza Bórika.
Serviço
O Distrito Policial de Crimes Ambientais fica na avenida Comendador Daniel Pacífico, 2-117, Vila Martha (próximo à Vila Falcão).
Denúncias de maus-tratos podem ser feitas pelos telefones (14) 3238-7377 e (14) 3238-5151, ou pelo e-mail: dp1bauru@policiacivil.sp.gov.br.