08 de julho de 2026
Bairros

O pão nosso de cada dia

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Pão francês, café, leite e, raramente, alguns sacos de biscoito de polvilho. Estes eram os principais e, muitas vezes, os únicos produtos oferecidos pelas padarias de Bauru até o início da década de 1960. Mais do que falta de variedade, a limitação de produtos era considerada algo tradicional, que durante muito tempo satisfez as necessidades dos clientes que frequentavam estes locais.

No início da década de 1970, quando os supermercados entraram no segmento e incorporaram o pão em seu rol de produtos, este quadro teve de mudar. Para sobreviver, as padarias “deram as mãos” à inovação, passaram a oferecer maior variedade de produtos e serviços, migraram do Centro para os bairros e assim conseguiram tornar-se elementos indispensáveis na vida dos bauruenses.

Evaristo Rodriguez Gonzalez, presidente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria (SindPan) de Bauru, acompanhou parte desta transição. Ex-proprietário da Torre de Belém, uma das padarias mais importantes da cidade na década de 1960, ele conta que também teve de passar por vários processos de adaptação para manter-se no mercado.

“Abri a primeira unidade da Torre de Belém em 1964. Era bem em frente à Estação Ferroviária, um ponto considerado estratégico. A princípio, oferecíamos somente os itens básicos de padaria: pão, leite, café e biscoito de polvilho”, lembra.

Além desta unidade, ele chegou a ter outras quatro padarias, com a diferença de que, com o tempo, passou a oferecer outros produtos, como bolos, doces e salgados e a funcionar 24 horas por dia.

“Quando os supermercados entraram na briga pelo espaço, as padarias tiveram de se reinventar. Lembro-me que fomos pioneiros no Estado em funcionar 24 horas por dia. Ainda hoje essa reinvenção constante é uma necessidade”, avalia.

E se este é o caminho para o coração dos clientes, as padarias de Bauru não poupam esforços. Atualmente, elas oferecem coisas que vão bem além do tradicional pãozinho francês.

“Também trabalho com eventos. Fazemos coffee break para empresas, festas de aniversário e até chá de bebês, com direito a itens que vão dos tradicionais quitutes de padaria a sucos e caldos”, aponta Martha Aparecida Oliveira Pimentel, proprietária de uma padaria localizada no Jardim Estoril.

“Além de manter a loja aberta 24 horas por dia, ofereço refeições, lanches rápidos, congelados, pizzas e até mesmo itens de mercearia”, acrescenta José Isaac, proprietário de uma padaria que possui três unidades, localizadas no Jardim Marambá, Jardim Brasil e Vila Universitária.

Atualmente, Bauru possui 105 padarias cadastradas no SindPan. Todas, certamente, com muita criatividade e pão quentinho, diariamente, saindo do forno.

 

Santa Isabel e os panificadores

Não foi por acaso que o dia 8 de julho foi escolhido como o dia do panificador, mas, sim, porque neste mesmo dia comemora-se o dia de Santa Isabel, a padroeira dos panificadores que, por sua vez, não recebeu este título à toa.

Conta a história portuguesa que, no ano de 1333, sob o reinado de Dom Diniz, casado com Isabel, houve uma fome terrível. Para melhorar a situação, Isabel empenhou suas joias para poder comprar trigo de outras regiões e assim, poder manter seu costume de distribuir pães aos pobres.

Em um dos dias de distribuição, o rei apareceu inesperadamente. Com medo de ser censurada, ela escondeu os pães. O rei, percebendo, o que ela escondia e ela respondeu com a voz trêmula: "São rosas, meu senhor". O rei, não acreditando, pediu para vê-las. Isabel abriu os braços e, para surpresa de todos, caíram ao chão rosas frescas e perfumadas. O rei não se conteve e beijou as mãos da esposa enquanto, os pobres gritavam que havia acontecido um milagre.