08 de julho de 2026
Geral

Ato de paz emociona vicentinos

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Emoção, sentimento de paz e o espírito fraterno marcaram mais um tradicional Churrasco Vicentino – dessa vez em sua 61ª edição. O público de 40 mil pessoas que começou a chegar na manhã de domingo para prestigiar o evento na sede da Vila Vicentina foi surpreendido por atos especiais por volta das 10h. Abraços à instituição, abraços entre participantes - e mil balões azuis e brancos soltos pelos cerca de 700 voluntários da entidade no lugar de fogos de artifício. A iniciativa inédita arrancou aplausos.

Assessor de imprensa e integrante da diretoria da Vila Vicentina, Marcos Perassolli, confirma que o ato substitui a chuva de fogos, bastante comum em edições passadas. “Foi algo novo no Churrasco Vicentino. É uma iniciativa para reforçar o espírito de paz, de união e de fortaleza”, comentou.

O presidente da instituição, Nilson Dias, agradeceu a presença de todos os voluntários que trabalham no Churrasco e também do público. “As queimas de fogos das edições passadas começaram a virar algo meio perigoso. Queremos fazer este abraço simbólico nos próximos anos. Desta vez, foi algo que ocorreu meio no improviso, mas foi muito emocionante e bonito.”, salientou.

Autoridades também foram vistas no local, entre políticos, padres e delegados de polícia, empresários, etc. O evento começou logo às 6h, com missas. Às 9h, as mais de 40 barracas deram a largada para a comercialização dos comes e bebes.

Além do tradicionalíssimo e delicioso churrasco, voluntários e colaboradores se empenharam para vender diversos quitutes, como pamonha, bolo de milho, milho verde, churros, morango na cestinha, canjica, sonho, sorvete, cachorro quente, salgados, batata frita, sardinha na brasa, entre outros.

No salão da instituição, foi servido um almoço festivo com o preço de R$ 25,00 por pessoa. A criançada também não ficou pra trás e brincou bastante nos brinquedos da festa, como pula-pula, piscinas de bolinhas e cama elástica.

 

Verba arrecadada

A diretoria da Vila Vicentina alegou que a verba arrecadada com o Churrasco Vicentino será destinada a obras da instituição. No caso, os recursos angariados nesta edição serão direcionados para a construção de um pavilhão de acamados.

“O prédio é voltado para asilados que precisam de cuidados especiais”, afirmou o assessor de imprensa e integrante da diretoria da Vila Vicentina, Marcos Perassolli.

Segundo ele, a edificação terá área de 800 metros quadrados e foi orçada em um valor que varia entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão.

 

Interação social e ‘papo’

Para a assistente social da instituição, Rochelli Fabiana Amaral da Silva, o momento do Churrasco Vicentino é bastante importante para os 48 asilados. “A movimentação é muito importante. Além de ajudar a manter a instituição, o churrasco promove interação entre os idosos”, ressalta.

O asilado Natalício Joaquim da Silva, 86 anos, há três anos vive na Vila Vicentina e diz que a movimentação surpreende pela quantidade de pessoas. “É bom, pois a gente conhece pessoas de fora que chegam para bater papo. É bom conversar um pouco”, comentava ele. 

 

‘Todos os anos estou aqui...’

Calor, espaço apertado, e muita carne para assar. O Churrasco Vicentino, a cada ano, atrai mais voluntários e colaboradores que doam tempo, amor e dedicação para que o evento seja um verdadeiro sucesso.

O “churrasqueiro” Edson Vasse Carneiro, 46 anos, diz que é ‘vicentino’ de longa data. “Já são 15 anos de dedicação a este evento. Todos as edições eu ajudo”, comenta ele, que é membro da Sociedade São Vicente de Paulo e ontem ajudava na barraca de churrasco.

“A gente conta os dias pra esse evento acontecer. É um momento maravilhoso, em que encontramos os amigos”, diz. “E ainda é uma oportunidade para que familiares venham visitar os asilados. E sem falar que esses idosos também ajudam a preparar esta festa”, sublinha.

O presidente do Conselho Metropolitano de Bauru, Antonio Celso Lopes, 56 anos, afirma que a participação no churrasco é algo que vem de família. “Eu participo e ajudo já há mais de 30 anos”, afirmou o vicentino, que também se dedicava a vender os espetinhos de carne.

“É uma contribuição bastante especial para que a Vila Vicentina possa amparar esses idosos que necessitam na nossa ajuda”, enfatiza.

 

Primeira vez

Além de frequentadores assíduos, teve gente que visitou  o evento pela primeira vez. Foi o caso da aposentada Rosimeire Picolli, 57 anos.

Moradora de Bauru, ela ainda não havia prestigiado a iniciativa. “Nunca deu certo, mas dessa vez eu consegui participar e é a primeira vez. Inclusive, eu sempre realizo doações para a Vila Vicentina. Já estava mais do que na hora de eu prestigiar o tradicional churrasco”, contou à reportagem do JC.

O aposentado Carlos Roberto Cardoso, de 60 anos, diz que já conhecia a festa e participa em anos alternados. “Vale a pena. É um dia diferente e é importante saber que ao mesmo tempo estamos ajudando a instituição”, comentou.

 

124 anos?

Segundo a instituição, a 61ª edição do Churrasco Vicentino comemorava o aniversário do asilado mais antigo da Vila Vicentina. José Agnelo dos Santos comemoraria 124 anos, mas a idade a diretoria não confirma. O documento de identidade do asilado foi emitido novamente e consta uma data de nascimento incerta, de acordo com a entidade. Seja como for, José já é um símbolo vivo da vila.