09 de julho de 2026
Articulistas

9 de Julho sempre!

Roberto J. Pugliese
| Tempo de leitura: 2 min

Vestidas de macacões, as mulheres foram para as fábricas. Adolescentes correram para se alistar. Almofadinhas do largo de São Francisco trocaram seus ternos pelas botas e uniformes caquis da gloriosa Força Pública. Joias de família, anéis, brincos e baixelas foram doadas para patrocinar o movimento. Todos se mobilizaram para o combate.

 Trezentos mil voluntários, com a mesma coragem dos bandeirantes de outrora, se apresentaram para a luta. Indiferentes às dificuldades, ao som de Paris Belfort, dos discursos de Ibraim Nobre e outros tribunos, trinta e cinco mil paulistas foram às frentes de batalhas. Com seus pitorescos capacetes, as fronteiras do Estado foram cercadas pelos entusiastas soldados, que visualizavam a pátria livre do ditador, sem dar importância às privações inerentes à guerra.

Sequer se prepararam para o combate. Valia a força de vontade. Era a pressa para a libertação do jugo injusto e arbitrário. Cunha, Campinas, Franca, Itararé, Pindamonhangaba, o Estado pouco a pouco foi sendo sitiado. Santos e seu movimentado porto, bombardeado, não recebeu as armas compradas no exterior. Não havia víveres suficientes para as tropas e, mesmo trabalhando dia e noite sem descanso, a criativa indústria não supria as necessidades que a Revolução Constitucionalista exigia.

  O governo federal mobilizara cem mil soldados. A luta era desigual. Os poucos mais de cinco milhões de habitantes do Estado viviam um único sentimento: vencer o caudilho Getúlio.

A Revolução revelou no curto período de seus combates sangrentos a disposição do povo, que largando seus afazeres foi às trincheiras e se submeteu às agruras próprias das batalhas. Mostrou que igual ao aço, o paulista pode quebrar, mas não se curva.

E a liderança se fez sentir. Perdeu nas armas, porém venceu impondo a legalidade. Não se permite esquecer o maior evento épico brasileiro. Tão pouco os heróis anônimos que tombaram pela liberdade.

  Ainda que passados 80 anos daquele 9 de julho, a epopéia paulista está viva. Não será esquecida. Não morrerá nunca. Enfim: és paulista? Ah! Então tu me compreendes! Trazes, como eu, o luto na tua alma e lâminas de fel no coração, como conclama o poema.

O autor, Roberto J. Pugliese, é advogado