O enviado especial da ONU para a Síria, Kofi Annan, disse ter mantido conversações construtivas em Damasco com o presidente sírio, Bashar al-Assad, nesta segunda-feira.
Assad afirmou no domingo que o plano de Annan para pôr fim a 16 meses de derramamento de sangue na Síria estava sendo minado pelo apoio político e armamentista a "terroristas" por parte dos Estados Unidos e países vizinhos.
Annan iria seguir depois para o Irã, principal aliado da Síria, para também manter conversações com os dirigentes do país.
"Eu acabei de ter uma conversa positiva e construtiva com o presidente Assad", disse o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU).
"Nós chegamos a um acordo em um ponto que vou compartilhar com a oposição", declarou Annan aos repórteres. E uma vez mais Annan enfatizou a importância da interrupção da violência e promoção do diálogo político, pontos-chave do plano que ele apresentou em abril.
O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Jihad Makdissi, afirmou em uma mensagem no Twitter: "Nas duas reuniões nós reafirmamos a Annan o compromisso da Síria com o plano de 6 pontos e esperamos que a outra parte esteja mutuamente comprometida."
Em entrevista transmitida no domingo pela TV, Assad acusou a Arábia Saudita, o Catar e a Turquia, bem como os Estados Unidos, de suprirem armas e apoio logístico aos rebeldes que estão tentando destituí-lo do poder.
"Nós sabemos que (Annan) está se posicionando contra obstáculos incontáveis, mas não se deve permitir que o seu plano fracasse; é um plano muito bom", disse ele.
"O principal obstáculo é que muitos países não querem que seja bem-sucedido. Por isso, eles oferecem apoio político e eles também enviam armamentos e mandam dinheiro para os terroristas na Síria", afirmou Assad, segundo uma transcrição da entrevista, feita em inglês.
A Síria é governada por membros de uma vertente do islamismo próxima aos xiitas, minoritária no país, e os insurgentes provêm da maioria sunita. O governo sírio alega que as monarquias dirigidas por sunitas no Golfo Pérsico estão dando apoio aos rebeldes, como estratégia para se contrapor à crescente influência xiita na região, mais especialmente do Irã.
Ativistas anti-Assad disseram que nesta segunda-feira houve ataques de artilharia do Exército e confrontos em Deir Ezzor, Deraa, Homs, Aleppo e num bairro de Damasco. Moradores também afirmaram ter ouvido troca de tiros na capital.
Segundo um site dos ativistas na Internet, mais de 100 sírios foram mortos no domingo, na maioria civis.
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse no domingo que as forças da oposição estão se tornando mais eficazes e, quanto mais cedo a violência acabar, melhor será a chance de o governo sírio evitar um "ataque catastrófico" dos rebeldes.
Embora o governo de Assad seja alvo de sanções e condenação internacional, as grandes potências ocidentais e países árabes se distanciaram de uma ação militar direta.