09 de julho de 2026
Internacional

Hillary pede cooperação entre militares e civis egípcios

Reuters
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As autoridades civis e militares do Egito devem cooperar para preservar a transição política, disse a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, depois de o novo presidente egípcio desafiar o Exército e um tribunal ao restaurar o Parlamento.


A Justiça egípcia considerou que o Parlamento, dominado por políticos islâmicos, foi eleito sob leis inconstitucionais, e por isso a junta militar do país dissolveu a assembleia. O presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, revogou essa dissolução no domingo, dias depois de tomar posse no começo do mês.


A decisão surpreendeu as autoridades dos EUA, que esperavam uma atitude mais conciliadora de Mursi com as poderosas Forças Armadas.


"Vimos nos últimos dias que há muito trabalho pela frente no Egito para manter essa transição no rumo", disse Hillary a jornalistas, referindo-se à evolução política no país desde os protestos populares que derrubaram o presidente Hosni Mubarak, em 2011.


"Conclamamos fortemente ao diálogo e a um esforço conjunto por parte de todos para tentar lidar com os problemas que são compreensíveis, mas que precisam ser resolvidos a fim de evitar qualquer tipo de dificuldades que possam descarrilar a transição", afirmou Hillary durante entrevista coletiva em Hanói, no Vietnã.


O Parlamento egípcio voltou a funcionar na terça-feira depois da decisão do presidente. Em nota lida na TV estatal, o Exército defendeu a dissolução e disse estar confiante de que "todas as instituições estatais" irão respeitar a Constituição.


Após reunião para discutir o decreto de Mursi, a Corte Suprema disse que todas as suas decisões são finais e compulsórias, e que a corte irá rever na terça-feira todos os processos que contestar a constitucionalidade do decreto do presidente.


Hillary defendeu um "diálogo intensivo" entre todas as partes para "assegurar que há um caminho claro a seguir, e que o povo egípcio obtenha aquilo pelo que protestou e por que votou, que é um governo plenamente eleito".


A secretária, que faz uma longa viagem pela Europa, Ásia e Oriente Médio, deve visitar o Cairo no dia 14, tornando-se a mais graduada autoridade norte-americana a desembarcar no Egito desde a posse de Mursi, em 30 de junho.


"Trata-se de criar um diálogo político vibrante e inclusivo, de ouvir a sociedade civil, de ter boas relações entre autoridades civis e autoridades militares, em que cada um trabalhe para servir aos interesses dos cidadãos."