09 de julho de 2026
Esportes

É campeão! Título para ?virar a página?

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 5 min

Alegria, alívio e confiança. O título da Copa do Brasil trouxe tudo isso para os torcedores palmeirenses. Uma constatação é imediata, o título paulista, em 2008, não serviu para aplacar o sofrimento e contentar a maior parte da exigente torcida alviverde. Na conta dos palmeirenses, o “jejum” era de 12 anos, uma vez que a última conquista lembrada com orgulho e carinho é a da Libertadores, em 1999. Com o bicampeonato da Copa do Brasil - o time também ficou com o título em 1998 -, cessam as decepções e a expectativa é que o Palmeiras ganhe moral e entre forte na disputa da Libertadores no próximo ano.

Os palmeirenses de Bauru cerraram fileiras com os milhões de palestrinos pelo Brasil durante a final e exaltam o significado do título. “É uma glória. Estava com 12 anos que não ganhávamos nada. Pode ser a salvação da temporada e tem um significado muito grande, vai dar uma moral”, empolga-se João Aldo Paciello, o Foguinho. O também palmeirense Sylvio Bombini concorda. “Fazia um bocado de tempo que a gente não podia se soltar e gritar. Chegou a hora. Um time como o Palmeiras não pode ficar os anos que já foram sem conquistar um título. É a oportunidade de festejarmos”, comemora.

Ambos fanáticos palmeirenses, lembram o sofrimento durante o jejum, e torcem para que nunca se repita. “Quem é Palmeiras é Palmeiras mesmo. Eu, por exemplo, estava muito triste nesta fase, onde tudo aconteceu de ruim. Aquilo foi acumulando e esta hora veio no momento certo. O palmeirense e o corintiano são rivais. Eles foram felizes de serem campeões da Libertadores e nós fomos da Copa do Brasil”, festeja Bombini. Passional, Paciello relata que, em determinados momentos, preferia nem assistir aos jogos. “Sofro, sofro muito e me faz até mal à saúde. Tem hora que eu tiro o som da televisão, tiro a imagem”, conta. Mas ressalta que o amor pelo clube não permite que ele se afaste definitivamente. “Daí a pouco, eu volto”, brinca. Ontem, se saiu, voltou para ver a festa.

 

Glórias

Ambos com 74 anos, Bombini e Paciello acompanham o Palmeiras há décadas e são rápidos em apontar momentos marcantes e times inesquecíveis do Alviverde. “Acompanhei muito o time da Academia (anos 60 e parte dos 70), que ficou gravado. Mesmo antes da Academia, o Palmeiras tinha um time para disputar títulos. Sempre acompanhei de perto”, destaca Bombini, que revela que viu várias finais do Palmeiras no Morumbi. Paciello tem também nítido na lembrança o Palmeiras da Academia. “Lembro as épocas áureas, da Academia, com Ademir da Guia, Dudu. Nessa época, o time tirava de letra. O Palmeiras também representou a Seleção Brasileira, isso ficou marcado na minha memória”, recorda, referindo-se ao jogo inaugural do Estádio Mineirão, em 1965, quando o time do Palmeiras, jogando como Seleção Brasileira, venceu o Uruguai por 3 a 0.

 

‘Inferno Verde’ preparado pelo Coritiba vira ‘festa no chiqueiro’ em pleno Couto Pereira

O “Green Hell” (Inferno Verde) transformou-se em “festa no chiqueiro” na fria noite de ontem em Curitiba. A comemoração no estádio Couto Pereira foi toda palmeirense. Como prometido, a torcida do Coritiba gritou, vibrou e fez uma bonita festa assim que o time entrou em campo, com direito a muitos fogos e fumaça. O famoso Green Hell, no entanto, não assustou o Palmeiras, que terminou a partida gritando “é campeão”.

Os 5,5 mil palmeirenses podem não ter feito tanta barulho quanto os “coxas-brancas” durante o jogo, mas não se intimidaram e só se calaram quando Ayrton cobrou falta com perfeição para colocar o Coritiba na frente. O silêncio só durou poucos minutos. O cabeceio certeiro de Betinho causou revolta na torcida local (ela reclamou bastante da falta marcada em Mazinho, cobrada perfeitamente por Marcos Assunção) e inflamou os palmeirenses. O gol fora de casa era o que o time paulista precisava e, aí, o título já estava garantido.

Expressão bastante cantada pelos palmeirenses, a “festa no chiqueiro” deu o tom no Couto Pereira. Hino do clube, “dá-lhe porco”, “é campeão”... Após tantos anos de sufoco, a torcida alviverde finalmente pôde cantar e gritar orgulhosa na noite de ontem. Com direito até a “olé” a cada toque palmeirense em campo.

 

Sem rigidez

Ao contrário do que foi combinado pelo Ministério Público e a Polícia Militar, a fiscalização com os ambulantes não foi tão rígida e muitos deles vendiam bebidas alcoólicas nas imediações do estádio.

O policiamento demorou para aparecer. A entrada para a torcida palmeirense ficou por muito tempo sem proteção nenhuma. Mesmo assim, qualquer um passava por lá, mesmo sem ingressos: cambistas faziam a festa e pediam até R$ 300 por um bilhete.

 

Em 12 anos, Verdão já viu passar 252 jogadores

O Palmeiras conquistou ontem, em Curitiba, pela segunda vez a Copa do Brasil e, além de disputar a Libertadores de 2013, encerrou um jejum de títulos nacionais que já dura 12 anos, 252 jogadores e 23 técnicos.

Esse é o número de atletas que jogaram ou ainda jogam pela equipe e não haviam vencido nenhuma competição de relevância nacional desde a conquista da Copa dos Campeões de 2000. Este torneio, que não existe mais, valia ao campeão uma vaga na Libertadores.

No período, o Palmeiras venceu apenas a Série B do Brasileiro, em 2003, e o Paulista de 2008.

Ao longo dos 12 anos de tabu, o clube teve vários medalhões, como Gamarra e Edmundo, além de jogadores campeões mundiais como Edmilson, Juninho Paulista, Denilson, Roque Júnior, e Zinho -  estes dois últimos, já na segunda passagem pelo clube, não conquistaram nada.

Mas também utilizou uma grande quantidade de jogadores que o torcedor sonha esquecer ou que já apagou da memória: Gioino, Alex Afonso, Rovilson, Kahê e Jumar, entre outros.

Além dos 252 jogadores, 23 técnicos, entre efetivos e interinos, dirigiram a equipe durante o jejum.

A lista tem quase todos os nomes consagrados do futebol brasileiro neste século: Muricy Ramalho, Vanderlei Luxemburgo, Tite, Luiz Felipe Scolari, Emerson Leão. Mas também apostas que não vingaram, caso de Estevam Soares e Paulo Bonamigo.

O tabu também atravessou o mandato de quatro presidentes. Começou com Mustafá Contursi, que comandou o clube de 1993 a 2004, e passou por Affonso della Monica e Luiz Gonzaga Belluzzo até chegar ao atual mandatário, Arnaldo Tirone.