Por conta da legislação eleitoral, todos os candidatos à eleição são obrigados a declarar os bens, que se tornam públicos por meio da página na internet do próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Acontece que as informações são incompletas, chegam a cumprir apenas formalidade e não revelam, sequer, o real patrimônio dos interessados em gerenciar o dinheiro público municipal por quatro anos. Um dado interessante dos quatro candidatos bauruenses ao Palácio das Cerejeiras é nenhum ter imóvel próprio declarado em seu nome.
Seja por serem alugados ou por estarem no nome de outras pessoas, esses imóveis não aparecem nas declarações. Outro dado curioso é que, entre o que foi declarado pelos prefeitáveis, o patrimônio somado fica em R$ 1.172.201,75.
A maior parcela do patrimônio declarado está em nome da candidata Chiara, única que tem função empresarial e integra família com vários negócios na área de educação. Em sua declaração estão quotas de capital da empresa Ranieri Gestora de Ativo Ltda. (R$ 710.025,00). Ela possui ainda participação em mais duas empresas de sua família: Associação Ranieri de Educação e Cultura S/C Ltda (R$ 221.770,00) e Liceu Noroeste de Educação Ltda. (R$ 31.990,00).
Outro bem de Chiara é seu veículo, marca Tiguam, avaliado em R$ 105 mil. Além disso, constam um terreno em Avaré (R$ 8 mil) e aplicações em fundos de investimentos (R$ 21.313,01). O patrimônio total da demista é de R$ 1.102.406,75.
O imóvel em que mora Chiara está no nome de seu marido. Trata-se de um apartamento de três dormitórios, no Jardim Estoril IV.
Na eleição de 2008, quando concorreu ao cargo de vereadora, Chiara Ranieri declarou apenas R$ 69.500,00 em bens. Apenas o terreno em Avaré continua igual. Há quatro anos, ela tinha apenas R$ 1.500,00 em quotas das empresas da família. A renda bruta da vereadora, de acordo com sua assessoria, é de R$ 8.500,00, incluindo o seu subsídio da Câmara Municipal, que fica próximo dos R$ 7 mil.
Com a família
Candidato à reeleição, Rodrigo Agostinho (PMDB) declarou R$ 48.800,00 em bens. Tratam-se de dois automóveis, sendo um jeep, ano 1959, que valeria R$ 10 mil, e uma pick up GM Montana, ano 2010, cujo valor completa o patrimônio.
O prefeito não possui imóveis em seu nome e vive em uma casa, no Altos da Cidade, com três dormitórios, de propriedade de sua avó, que também mora no local, junto com a mãe e uma tia.
Segundo Agostinho, sua única fonte de renda é o subsídio de prefeito, que gira em torno dos R$ 11 mil mensais.
Na última eleição, quando foi eleito chefe do Executivo de Bauru, Rodrigo declarou R$ 30 mil em bens, entre eles, o mesmo jeep. No entanto, seu outro automóvel, Ford Ranger, 1997, era avaliado em R$ 20 mil.
De aluguel
Entre os candidatos a prefeito, o único a pagar aluguel é Clodoaldo Gazzetta (PV), que mora em uma casa na região do Altos da Cidade e desembolsa R$ 800,00 por mês em razão disso.
O verde diz que atualmente não conta com renda fixa mensal. Até o início do período pré-eleitoral, ele informa que recebia R$ 8.200,00 para prestar assessoria à liderança do PV na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. “Eu auxiliava na revisão dos projetos de lei”, explica.
Empresa de R$ 495,00
O que mais chamou a atenção em Gazzetta, porém, foi a declaração de bens no valor de apenas R$ 495,00. Trata-se de 90% do capital social da empresa GZ3, de consultoria ambiental, que começou suas atividades em 2004 e, segundo o candidato, prestava serviços para Organizações Não-Governamentais (Ongs), como o Instituto Vidágua e a SOS Mata Atlântica. “Este ano, ela não funcionou para não termos problemas em receber dinheiro dessas organizações em ano eleitoral”, explicou.
Em 2008, porém, além do capital da GZ3, o candidato declarou em R$ 1.000,00 o capital social da empresa Clodoaldo Armando Gazzetta e ainda tinha um veículo Scenic, ano 2006, avaliado em R$ 21.500,00. “Agora o carro está no nome da mina esposa”, contou.
À reportagem, Gazzetta informou ainda que terá direito a 10% de um imóvel, localizado em Nova Odessa, de propriedade de seu falecido avô, que ainda está à venda e tem valor de R$ 1,2 milhão.
Fora do eixo Sul
Paulo Sérgio Martins (PSTU) é o único candidato a prefeito que não mora em bairros da região Sul. Sua casa, de dois dormitórios, está no nome da esposa.
Em sua declaração de bens, constam dos automóveis da marca Volkswagen: um do ano 1988 (R$ 7 mil) e outro de 2011 (R$ 13.500,00).
De acordo com o candidato, sua renda mensal é de R$ 3 mil, referentes a seu salário de bancário, pois não recebe como diretor do sindicato da categoria.
Em 2008, quando foi candidato a vice-prefeito, Paulinho declarara um carro de R$ 6 mil e uma casa de R$ 40 mil.