08 de julho de 2026
Cultura

É atitude, é rock?n?roll!

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar de controvérsias, o surgimento do rock, serviu como um verdadeiro “grito”. Um grito que representava a rebeldia e manifestava insatisfação de certas normas sociais. O punk é um bom exemplo de subgênero que nasce de contestações sociais e políticas.

Mas, afinal, em face das inúmeras vertentes e estilos sustentados pelo rock, há espaço para o rock de atitude, contestador, preocupado em fazer crítica social? Essa é uma das inúmeras reflexões possíveis no Dia Mundial do Rock, comemorado hoje, dia 13 de julho. Em celebração à data, Bauru tem várias opções de atrações, desde U2 Cover até a pesada Viper (leia mais nas páginas 22 e 23).

Pode parecer que o pop rock, carregado de músicas românticas, passou a comandar o cenário do rock e ser a preferência do público. Na visão do professor de música da Universidade do sagrado Coração (USC), Cláudio Corradi, a novidade é que hoje, no Brasil, o rock, na verdade, está muito romantizado. “Não posso concordar que o tipo de rock que mais se faz no Brasil hoje é o pop rock. Na verdade, eu acho é que o rock está muito romantizado. Hoje você tem o rock com uma letra que apela para o lado emocional, mas ao mesmo tempo tem uma sonoridade pesada, o que pode ser considerado novidade”, ressaltou. “Porém, se a gente for analisar, o que acontece hoje não é muito diferente do que ocorreu na década de 70, na Jovem Guarda”, apontou o professor.

Para Corradi, apesar da pulverização de estilos, incluindo o rock mais romantizado, a essência do rock não pode perder o escopo de alguns elementos que são característicos do gênero. E a postura crítica é um deles. “O rock tem que estar livre para falar o que pensa, doa a quem doer. Roqueiros têm que ter identificação com a juventude, sempre com tom questionador”, diz Corradi.

 

Pulverização

O rock se pulverizou. Pop rock, garage rock, power pop, rock psicodélico, rock progressivo, hard rock e heavy metal, alternativo… sem falar das misturas entre rock e samba, rock e jazz, rock e blues e até há quem arrisque misturar rock e sertanejo. E a diversificação de ritmos e estilos é uma tendência. “A tendência é que o rock fique cada vez mais pulverizado e diversificado”, reforça o professor universitário de música Cláudio Corradi.

E a pulverização segue acompanhada por público assíduo. “Sempre vai ter público querendo ouvir os mais diversos estilos. Eu acredito que vai haver sempre esse rock com letras mais romantizadas e vai ter público sim pra isso, assim como vai ter público curtindo  o rock com características mais tradicionais”, avalia. “Tem bandas do rock mais tradicionais que também, em alguns momentos, vão falar de relacionamentos e de amor, mas de uma forma não tão simplificada, como é feito em alguns casos. Há letras romantizadas, porém mais elaboradas, mais complexas e rebuscadas em contraponto com canções mais digeríveis”, salienta.


Rock, sentimento e clichê

Para o baterista da Move Over, Leandro Tenório, o pop rock está mais próximo ao público. “As músicas são simples, fáceis de gostar, e o pop rock é também uma maneira de manter o movimento do rock vivo. O rock não precisa só ter letras versando sobre falando de morte, sobre o governo. Falar sobre sentimentos é válido também”, diz.

E, quando se mistura sentimento com rock, para Leandro, as letras não são necessariamente previsíveis. “O público não quer mais clichê. Acho que as pessoas estão cansadas de letras previsíveis. Tem letras que a gente consegue adivinhar de tão monótona. Mas, de certa forma, existe uma indústria que molda as bandas e músicas”, observa.

 

Apesar de tudo, respeito

A banda agudense Artigo DZ9?, há mais de dez anos na estrada, é um desses exemplos de rock contestador. O nome do grupo originalizou-se do Artigo 19, cuja lei faz referência à Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1946. O conjunto preza pelo direito à liberdade de opinião e expressão.

“O rock em sua forma mais rebelde e agressiva sempre vai existir, até por conta de ser uma forma de expressão. Mas também vão existir bandas mais “pacíficas”. Independentemente de estilo, temos que respeitar todos os grupos. Música é algo universal e a gente não pode reprimir essa ou aquela banda, até porque o  Artigo 19 preza pela liberdade de expressão”, ressalta o baixista e vocalista Leopoldo Texeira.

“O rock de contestação ainda sustenta um movimento muito grande, e muitos grupos estão nessa linha, até por conta da facilidade de acesso da Internet. E, se sairmos do âmbito comercial, veremos que há muitos talentos fazendo trabalhos alternativos sem cobrar nada e sem ser reconhecido”. “As pessoas precisam ir além do seu ‘quadrado’, ir além do que está apenas na grande mídia”, enfatizou.