A cada mês, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente autoriza ao menos 18 pedidos feitos por moradores para retirada de árvores condenadas. Somente neste ano, até ontem, foram 108 permissões, após a detecção de problemas fitossanitários por equipes técnicas da pasta.
O número, considerado normal para uma cidade do porte de Bauru, se torna preocupante em épocas em que os vendavais passam a ser mais frequentes. Ontem, uma palmeira de cerca de 12 metros de altura quase caiu sobre um carro em movimento em uma alça de acesso da avenida Nações Unidas, próximo ao Parque Vitória Régia (leia mais ao lado).
Há cerca de um mês, quando os ventos atingiram 66 quilômetros por hora na cidade, cerca de 40 árvores vieram ao solo em um mesmo dia. Uma delas atingiu um veículo que estava estacionado e, por sorte, ninguém ficou ferido.
Segundo o diretor de praças e áreas verdes da Semma, Etelvino Zacarias Martins, a vida útil de uma espécie pode variar muito quando plantada na zona urbana, o que torna difícil planejar sua substituição antes de ela começar a apresentar sinais de desgaste. “A planta se desenvolve de maneira diferente em uma floresta e em uma área impermeabilizada. Não dá para prever. É preciso observar o vegetal para avaliar seu estado e, só então, deferir ou indeferir o pedido feito pelo morador”, pontua.
De acordo com ele, a queda da palmeira cariota, ontem, foi um caso atípico. Sadia, com cerca de 20 anos e plantada em uma área onde teve condições de desenvolver-se plenamente, ela teria sido derrubada por uma rajada de vento concentrada naquela região.
“Tanto é que uma árvore da mesma espécie, plantada a poucos metros de distância e com a mesma idade, permaneceu intacta. Trata-se de uma espécie que pode viver mais de 100 anos. Ela não estava comprometida e estava em uma área adequada, conforme prevê a lei municipal”, podera.
Mas um funcionário de uma empresa instalada em frente à área verde onde a árvore estava relata que um outro exemplar da mesma espécie caiu sobre um carro há cerca de dois anos e matou uma pessoa no local. “Quando chove, elas ficam balançando. Não é difícil outra tragédia acontecer de novo aqui”, observa ele, que preferiu não se identificar.
Raízes pequenas
A pedido do JC, o professor de botânica da Universidade Sagrado Coração (USC), Dorival José Coral, analisou imagens da palmeira cariota que caiu ontem nas imediações do Parque Vitória Régia. De acordo com ele, as raízes de palmeiras, em geral, são superficiais, mas, neste exemplar específico, o volume pareceu pequeno diante do tamanho da copa. “O sistema radicular pequeno, acrescido de possíveis problemas de instabilidade no solo, devem ter contribuído para a queda”, avalia.
Etelvino Martins acrescenta que árvores sadias também podem ser derrubadas pelo vento quando sofrem intervenção humana. É o caso de exemplares podados de maneira drástica para abrir passagem à fiação da rede de energia elétrica ou para não interferir na estrutura de muros e residências. “Com a copa desequilibrada, elas ficam muito mais vulneráveis à ação dos ventos”, considera, dizendo que não há espécies que sejam especialmente mais sensíveis às intempéries.
No início da tarde de ontem, quando um temporal atingiu Bauru, os ventos podem ter ultrapassado os 60 quilômetros por hora em alguns bairros, conforme estimativa do meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Carlos Figueiredo. Embora o fenômeno seja característico de vendaval, apenas uma árvore - a palmeira cariota - caiu na cidade, segundo informações da Semma.
Acidente e queda
Conforme o JC noticiou, uma árvore caiu e bloqueou meia pista da avenida Cruzeiro do Sul, no início da noite de anteontem, após o baú de uma Scania atingir a copa da planta. O caminhão seguia no sentido bairro-Centro, num trecho de aclive, e, segundo informações do condutor, Hélio Brust Rotava, 68 anos, o veículo estava carregado e transitava a cerca de 20 quilômetros por hora.
Na ocasião, o caminhoneiro disse acreditar que a árvore só caiu porque já deveria estar comprometida. “Ainda que o baú do caminhão seja alto, não tinha como derrubar uma árvore sadia nessa velocidade. Ela já estava quase sem raiz”, argumentou. O Corpo de Bombeiros foi acionado e, poucas horas depois, retirou a árvore do local, quando o trânsito foi normalizado.
Vendaval provocou queda de palmeira na Nações
A chuva do início da tarde de ontem quase provocou um acidente em uma alça de acesso da avenida Nações Unidas, ao lado do Parque Vitória Régia. Uma palmeira de cerca de 12 metros de altura veio ao solo depois dos fortes ventos que assolaram algumas regiões de Bauru.
Foi o caso da Nações Unidas, onde o supervisor Leandro Castro e Silva e sua esposa Greice Esquine trafegavam em seu veículo a caminho do trabalho. Ao realizarem a conversão para a alça de acesso da avenida, uma palmeira cariota quase caiu sobre o carro do casal, que não sofreu ferimentos.
“Virei o carro e, quando vi, a árvore que estava na praça já estava quase caindo sobre nós. Foi um susto tremendo”, conta o supervisor sobre a sensação de ficar frente a frente a um “quase acidente”.
Outros pontos como o Parque São Geraldo, Vila Garcia, Jardim Godoy, Jardim Maria Angélica, Jardim Araruna, Mary Dotta, Núcleo Gasparini, Pousada da Esperança II e Parque Vista Alegre também foram atingidos pela chuva e o vento intenso, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
No total, os medidores da região da Unesp indicam que a chuva de ontem não ultrapassou 4 milímetros, mas, por conta de dois aglomerados de nuvens na região norte e central do município, a chuva acabou sofrendo variações locais.
Previsão do IPMet é de sol e frio em Bauru de hoje até terça-feira
Depois da pancada de chuva ontem, a previsão do tempo feita pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) aponta frio e sol para esta sexta-feira e o final de semana. De acordo com a equipe do Ipmet, as fortes chuvas desta-quinta-feira foram provocadas por uma frente fria que se aproximou do Estado e causou nebulosidade na região de Bauru.
A partir de hoje, uma massa de ar frio e seco passa a atuar sobre o centro-oeste paulista inibindo a formação de nuvens e provocando a queda da temperatura.
Para esta sexta-feira, o sol deve predominar na maior parte do período e a temperatura mínima é de 09ºC e a máxima de 21ºC.
Já para o final de semana o IPMet aponta que o sol predomina, mas no sábado deve esfriar ainda mais, com mínima de 8ºC e máxima de 20ºC. Apesar da queda na temperatura, o céu deve continuar limpo no decorrer do dia.
Neste domingo, o sol aparece entre nuvens e a temperatura mínima prevista é de 12º C e a máxima de 22ºC.
Na segunda-feira volta a esfriar e a previsão aponta mínima de 10ºC e máxima de 22ºC. Já para terça-feira são esperadas pancadas de chuva. A mínima será de 11ºC e a máxima de 20ºC.