09 de julho de 2026
Rural

Governo vai liberar R$ 200 mi para escoar a produção de suínos


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O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, anunciou na manhã desta quinta-feira, em audiência pública na Comissão de Agricultura do Senado Federal, a autorização de uma linha de crédito de R$ 200 milhões para que as indústrias e supermercados possam adquirir leitões com até 30 quilos, ao preço de R$ 2,00/kg. Os preços atuais no mercado estão na faixa de R$ 1,76/kg. A linha de crédito terá prazo de pagamento de 180 dias e juros de 5,5% ao ano.

Outra medida anunciada foi a prorrogação das dívidas de custeio para janeiro de 2013. No caso do crédito para investimento, as parcelas serão adiadas por um ano após o vencimento da última mensalidade. O governo ampliou o valor do financiamento para retenção de matrizes, de R$ 1,2 milhão, anunciado no plano de safra, para R$ 2 milhões. O prazo de pagamento é de dois anos e os juros também de 5,5% ao ano.

O governo também criou uma linha de crédito para financiamentos fora do sistema bancário, junto a cooperativas, cerealistas, fornecedores de insumos e tradings. Segundo o Ministério da Agricultura, os recursos poderão ser do BNDES "ou de outras fontes a serem identificadas". A taxa de juros será de 5,5% ao ano, com prazo de até cinco anos para pagamento e vencimento da primeira parcela para um ano após a formalização.

O governo avalia a possibilidade de estabelecimento de um preço de referência para a carne suína, em caráter excepcional, até o fim de dezembro deste ano, para a realização de operações de Prêmio de Escoamento do Produto (PEP), no valor de R$ 2,30/kg de animal vivo. A medida seria destinada à região Sul, com limite de 50 mil toneladas para cooperativas e agroindústrias que comprem produtos diretamente de criadores independentes.

Argentina

O ministro disse ainda na audiência que as exportações de carne suína para a Argentina foram retomadas, e que nos primeiros 15 dias após o acordo entre os dois países, fechado há cerca de um mês, já foram comercializadas 1,5 mil toneladas. Mendes Filho afirmou que até o fim do ano as exportações para o mercado argentino devem se normalizar e atingir no acumulado 27 mil toneladas.

Em seu discurso, o ministro afirmou que o governo está atento à crise enfrentada pela suinocultura e descartou que o problema tenha sido provocado apenas pelas barreiras aos produtos brasileiros, "uma vez que as exportações de carne suína cresceram no primeiro semestre".

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, afirmou que o embargo russo e as restrições impostas pelo governo argentino são responsáveis pelo excesso de oferta que derrubou os preços da carne suína no mercado interno. Ele lembrou que em quatro meses os argentinos deixaram de importar 20 mil toneladas de carne suína.

Camargo Neto também criticou a atuação do governo federal nas negociações para a reabertura do mercado russo e a falta de políticas para assegurar o abastecimento de milho na região Sul, onde os criadores enfrentaram dificuldades por causa da quebra de safra provocada pela estiagem. O dirigente disse que o volume de venda de milho em balcão aos criadores foram irrisórios.

Cerca de 200 produtores de suínos realizaram passeata pelo canteiro central da Esplanada do Ministérios, em Brasília, em protesto contra a crise no setor. Estava prevista audiência deles com o ministro às 14h30.