08 de julho de 2026
Nacional

Oito morrem em troca de tiros com PM

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A onda de violência iniciada há um mês na Grande São Paulo, quando policiais militares de folga passaram a ser alvo de atentados e mortos, teve um novo capítulo entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem: em cinco horas, oito suspeitos foram mortos por PMs em seis ocorrências.

Em todos os casos, a versão dos policiais para as mortes é a mesma: eles faziam patrulhamento, desconfiaram de veículos, deram ordem de parada e houve fuga, perseguição e tiroteio. Em nenhuma das seis ocorrências, duas delas envolvendo a Rota, PMs se feriram.

Um dos mortos é suspeito de ter atirado contra uma base fixa da PM em Parelheiros, bairro da zona sul paulistana.

O saldo das mortes em cinco horas ficou bem acima da média diária registrada entre janeiro e maio deste ano, segundo dados da Corregedoria da PM - 1,7 ao dia.

Neste ano, a letalidade policial em São Paulo no período subiu 4,5% em relação ao ano passado. Foram 268 mortos. Em 2011, foram 256.

“Existe omissão por parte dos responsáveis pela Segurança Pública em São Paulo. Por isso, é difícil responder ao certo o que acontece atualmente. Mas é certo que a polícia está matando mais e isso pode indicar uma falta de controle dentro da PM. Estamos em um período do tudo pode”, disse Guaracy Mingardi, pesquisador da FGV e ex-diretor da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

A recente onda de violência em São Paulo começou há um mês, após a morte de sete PMs na segunda quinzena de junho, todos de folga e em crimes com características de homicídios encomendados.

No período, 15 ônibus foram incendiados e cinco bases da Polícia Militar, atacadas.

Setores de inteligência das polícias investigam se mortes de PMs e de civis na Grande São Paulo, desde o mês passado, são consequência de uma guerra entre quadrilhas de traficantes, de policiais militares ou se foram encomendadas por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Na madrugada de quinta, seis homens encapuzados mataram oito pessoas em Osasco, também na Grande São Paulo. Nesse caso, a polícia trabalha com várias hipóteses - desde briga entre traficantes até o envolvimento de PMs.

 

Policial

O policial militar João Carlos Bonesso, 32 anos, morreu esfaqueado dentro de sua casa, no Jardim Ipanema, em Guarulhos, na madrugada de ontem, após reagir a um suposto assalto.

Segundo sua mulher, o invasor disse a Bonesso é você mesmo quem vai morrer, antes de golpeá-lo várias vezes, pegar a arma do PM e atirar em seu cunhado, que não foi atingido.

O homem arrastou o corpo de Bonesso para fora de casa antes de fugir levando a pistola do policial.

 

Alckmin: tráfico quer desviar foco

São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), atribuiu ao tráfico de drogas a onda de violência desencadeada no Estado, que inclui ataques contra bases da PM e a policiais militares. Segundo ele, o crime organizado age dessa forma para “desviar a atenção”, procurando “aliviar a pressão que o Estado faz contra o tráfico de drogas.” O tráfico em São Paulo hoje é dominado pelo grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).