08 de julho de 2026
Bairros

Mato atrapalha campanha da ALL

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Dez dias depois da decisão que liberou por mais dois meses a operação dos trens da América Latina Logística (ALL) na malha ferroviária de Bauru e região, a empresa realizou uma campanha no intuito de conscientizar a população sobre os riscos que envolvem a imprudência na travessia dos trilhos.

A ação foi realizada na manhã de ontem nas imediações da avenida Comendador José da Silva Martha. Alguns motoristas, entretanto, mostraram-se descontentes com a ação em vista das condições em que se encontram a margem da linha férrea: mato alto, entulho e lixo.

O desvio de trânsito dos agentes da empresa ferroviária, acompanhados pela Polícia Militar (PM), para a realização da campanha “Pare. Olhe. Escute” ocorreu próximo ao cruzamento da via com a linha férrea, mas distante à realidade dos motoristas que seguiam pelo sentido bairro/Centro do lado oposto da via.

“Como vou parar o carro e olhar se o trem está vindo com esse mato alto na frente do trilho?”, questiona o vendedor Edivan Mendonça, após participar da campanha de panfletagem para conscientização de motoristas e pedestres.

Assim como vários moradores dos bairros nas imediações da avenida Comendador José da Silva Martha, Mendonça utiliza o caminho diariamente como rota para o trabalho.

“Tem que se arriscar e chegar muito perto da linha para enxergar, mas quando vejo, já estou em cima”, completa o motorista sobre os riscos à beira dos trilhos.

O mato apontado como problema por Mendonça tem mais de 2 metros de altura e torna um desafio a missão de observar o trem pelos condutores que seguem pela avenida em direção ao Centro ou à zona sul da cidade.

De acordo com a ALL, porém, o objetivo da campanha é minimizar os riscos de um abalroamento ou atropelamento nos cruzamentos com a ferrovia, principalmente no período do frio.

“Promovemos a campanha durante o inverno por ser o período de maior risco de acidentes, devido à incidência de neblina e carros com vidros fechados e embaçados, com poucas condições de visibilidade”, frisa Patrícia Cobra, do Instituto ALL, que lidera a campanha.

Questionada quanto ao problema, a Prefeitura Municipal, por meio de sua assessoria de imprensa, ressaltou que a área em questão seria de posse da ALL, única responsável pela manutenção do local. A prefeitura também afirmou em nota que acionaria o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru para verificar a situação da área e as possibilidades de notificação dos responsáveis.

 

Capina

Acionada, a América Latina Logística (ALL) diz reconhecer o problema do mato alto que atinge o entorno da malha férrea e informou que a empresa ferroviária realiza neste mês a roçada e a capina química na região central de Bauru.

A campanha da ALL ontem foi realizada por colaboradores voluntários da concessionária com o apoio de agentes de trânsito municipais. A ação pretende beneficiar mais de 10 mil pessoas.

“Orientamos motoristas e pedestres sobre os cuidados ao transpor a ferrovia, lembrando que estão cruzando uma preferencial e que o trem pode levar até um quilômetro para parar totalmente após o acionamento dos freios. Por isso, parar, olhar e escutar é fundamental”, reforça Patrícia Cobra, coordenadora da ação.


Para procurador, caso é de omissão

No dia 5 de julho, o juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho determinou, em ação civil pública, a proibição dos trens de operarem na malha ferroviária de Bauru e região. A ação de autoria do procurador da República Pedro Antônio de Oliveira Machado buscava a recuperação e manutenção das instalações da malha férrea por meio do cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado pela ALL e Agência Nacional de Terrestres (ANTT), órgão fiscalizador das concessionárias de ferrovias.

Porém, um dia após a decisão que proibiu a operação, a ALL conseguiu por meio de um acordo a liberação para a circulação dos trens por mais dois meses até o cumprimento das obrigações pendentes firmadas no TAC.

A ação civil pública, movida contra a ALL, a ANTT e a União por meio de decisão judicial excluiu das responsabilidades a ANTT, a União e o município, deixando o problema somente para a concessionária. Segundo Machado, esta medida teria comprometido a situação.