08 de julho de 2026
Geral

Gripe A provoca corrida aos postos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

A confirmação da primeira morte por gripe A (H1N1) - ou gripe suína - neste ano, em Bauru (leia mais ao lado), provocou corrida às unidades básicas de saúde (UBSs), farmácias e centros de vacinação da cidade. Além do óbito, outros dois casos da doença já foram confirmados pela Secretaria Municipal de Saúde, o que deixou os moradores em estado de alerta.

De acordo com informações fornecidas pela própria pasta, ontem já foi registrado grande aumento na procura pela vacina contra o vírus Influenza, causador da gripe suína. E as gestantes - exatamente o grupo de risco que menos aderiu à campanha nacional de vacinação - são as que mais têm comparecido aos postos em busca de imunização.

Realizada em abril, a campanha teve adesão de 75% das pessoas incluídas nos grupos de risco, quando o ideal seria uma cobertura de, no mínimo 85%. E as doses que restaram são o único estoque disponível, até o momento, na rede municipal de saúde.

A secretaria não confirmou o recebimento de novas remessas - que poderão ser enviadas pelo Ministério da Saúde, por meio do governo do Estado, devido ao surgimento de novos casos da doença. O secretário municipal da saúde, Fernando Monti, não foi encontrado para comentar o assunto.

Por enquanto, pode ser que os usuários encontrem dificuldades para encontrar as doses em todas as UBSs. A recomendação, neste caso, é procurar outras unidades, embora a secretaria afirme que esteja redistribuindo o material de acordo com a necessidade.

Postos que tiveram o estoque encerrado, como o do Jardim Europa e Vila Cardia, por exemplo, já foram reabastecidos. Vale lembrar que, de maneira gratuita, só serão imunizados os chamados grupos de risco, que incluem crianças de seis meses a 2 anos incompletos, gestantes, adultos acima de 60 anos e seus cuidadores, pessoas obesas, doentes crônicos e profissionais da saúde.

A vacinação é realizada nas UBSs de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h e quem já foi imunizado não precisa se preocupar. Pessoas que não fazem parte do grupo de risco podem procurar centros de vacinação particulares, mas eles também estão enfrentando dificuldades de fornecer as doses, já que houve uma explosão na demanda nos últimos dois dias.

 

Álcool em gel

Da mesma forma, as farmácias também registram uma procura inesperada de máscaras cirúrgicas e álcool gel. O aumento nas vendas, de acordo com estabelecimentos consultados pela reportagem, já chega a 30%.

A procura é tamanha que, na drogaria gerenciada por Wilson Antônio, já não há mais álcool gel disponível para venda. E, como os fornecedores também foram pegos de surpresa em todo o país, não há previsão para a reposição dos estoques.

“Nenhuma das distribuidoras têm produto para entregar e a gente não sabe quando o abastecimento será normalizado”, aponta.  Balconista de outra farmácia, Jurandir Rosendo dos Santos acredita que a demanda deve aumentar ainda mais nos próximos dias.

“Antes, a gente não estava vendendo mais nada. O pessoal acaba relaxando quando a gripe desaparece da cidade. Agora, a gente voltou a vender até máscara, principalmente para aqueles que trabalham na área da saúde ou para quem vai visitar parentes doentes no hospital”, comenta.


Insuficiência cardíaca e renal

O taxista José Rafael Sedoni Olegário, 51 anos, a primeira pessoa que morreu por gripe A neste ano, em Bauru, foi diagnosticado com insuficiência cardíaca e renal assim que foi internado no Hospital de Base (HB), no início deste mês. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele já estava com a saúde comprometida antes de contrair o vírus da gripe A (H1N1) e procurar ajuda médica.

A vítima, que morava sozinho em um imóvel na Vila Independência, foi enterrada ontem à tarde no Cemitério São Benedito. Como sua ex-esposa, Ivone Sebastiana Gomes, 46 anos, e os dois filhos, de 18 e 20 anos, também apresentaram sintomas de gripe, foram submetidos a exame de sangue ainda ontem. O resultado, felizmente, foi negativo.

“Não morávamos mais juntos há 10 anos, mas durante o tempo em que ele ficou doente, fomos visitá-lo quase todos os dias na UTI. Estávamos apreensivos com a possibilidade de também termos sido infectados”, comenta Ivone.


Doses da vacina ‘desaparecem’ da rede privada

Quem não pertence aos grupos de risco para a gripe A e quiser receber a dose da vacina de prevenção à doença terá de recorrer às clínicas particulares de Bauru. O problema é que, devido à grande procura, grande parte delas está sem estoque.

Umas das que ainda têm vacinas disponíveis é a Biolab, onde a demanda já é três vezes maior do que antes da divulgação dos primeiros casos de 2012. “Até agora, estávamos atendendo cerca de 30 pessoas por dia. De ontem para hoje, esse número subiu para 100. Há muita gente da região, até de Marília, vindo a Bauru para se vacinar”, comenta o gerente administrativo da empresa, Wagner Sandri.

O preço da aplicação é de R$ 65,00. Ele alerta, entretanto, que, caso os fornecedores não entregarem novas remessas e o ritmo de atendimento continuar o mesmo, as doses devem acabar já na próxima segunda-feira. 

Já a Clínica Imunológica recebeu um lote com 40 doses anteontem, que foram esgotadas no mesmo dia. No estabelecimento, as aplicações custam R$ 60,00 mas, desde então, o serviço foi suspenso por falta de material e não há previsão de quando elas serão retomadas.

A dificuldade para negociar a compra, conforme o JC apurou, ocorre porque os fornecedores têm priorizado o envio a cidades do Sul do país, onde o surto de gripe ocorre de maneira mais intensa. Com isso, o Centro de Vacinas de Bauru também não sabe informar quando voltará a imunizar contra a gripe A, embora a expectativa seja a partir da semana que vem. No local, cada dose custa R$ 50,00.

 

 

Biolab: 3214-3432

Centro de Vacinas: 3227-3403

Clínica Imunológica: 3234-4424