No Estado de São Paulo são 645 municípios. Em todos eles haverá eleições municipais este ano. A escolha de prefeitos e vereadores que assumem o cargo a partir do próximo ano exige um “batalhão” de pessoas para colocar a campanha na rua. São profissionais especializados e mão de obra mais barata. A contratação desse pessoal gera um incremento financeiro no orçamento das famílias e beneficia a economia.
O valor a ser injetado na economia dos municípios não é revelado ainda, todas as campanhas estão engatinhando e devem ganhar força a partir desta segunda quinzena de julho, começo de agosto.
Dizer que a economia terá uma injeção de grande porte, que vai dobrar, é perigoso. Pode-se, contudo, dizer que ela será aquecida e dobra em alguns setores, aqueles que estão diretamente ligados à disputa política. Em outras áreas haverá um incremento, porém em menor intensidade - algo em torno de 10 a 15%.
“O complemento na renda se transforma em consumo”, comenta o administrador de empresas e professor Kléber Luiz Nadoto Milanezi. Para ele, em ano eleitoral, a economia é a maior beneficiada. Porque para articular uma campanha há necessidade do trabalho de inúmeras pessoas, desde pessoal especializado até pessoas para segurarem bandeira na rua.
Fazer a roda girar
O dinheiro ganho com o trabalho eleitoral, normalmente, não vai para a poupança. Os profissionais especializados investem em novos equipamentos ou na ampliação de seus negócios. Já a mão de obra menos qualificada aproveita para adquirir um tênis novo para o filho, uma máquina de lavar roupas ou um eletroeletrônico. Se esse incremento entra para o consumo, a economia gira.
Na opinião de Milanezi, ao contrário do que muitos pensam a respeito do ano eleitoral, esse período é muito benéfico para os municípios. A movimentação econômica puxa as atividades industriais, “muito embora alguns achem que em ano eleitoral as coisas não se resolvem”, observa.
Os benefícios diretos ocorrem especialmente na indústria gráfica, comenta o administrador de empresas.
Há uma movimentação natural em setores específicos, como o setor gráfico, serigrafia e malharias. Esse tipo de trabalho abre vagas para aqueles que estão desempregados, embora muitos deles tenham qualificação.
A propaganda eleitoral via redes sociais vai exigir um tipo específico de profissional, prevê o administrador de empresas. A rede social é mais um canal aberto para contato do candidato com o eleitorado. Facebook, Orkut e Internet de maneira geral vai exigir pessoal especializado para montagem de site, atualização de informações e publicação de currículo.
Nas cidades de médio e grande porte será o meio de comunicação importante, assim como para atingir o eleitor mais jovem.
Na base da tradição
Já nos municípios de pequeno porte, com até 20 mil habitantes, ainda deve imperar o boca a boca, contato físico , o carro de som, os comícios e as reuniões familiares. Os candidatos dessas cidades ainda procuram o eleitor em suas casas. A tecnologia, o contato virtual, não deve surtir tanto efeito nessas localidades - ou vai atingir uma pequena porção dos eleitores.