Para muitos, meu pai Eliseu era um drogado, viciado, tranqueira, mendigo. Era tudo isso que eu escutava, mas esse era o pai que Deus me deu e eu o amava mais que tudo. Quantas vezes tentei tirá-lo desse mundo enganador e cruel, mas ele sempre dizia: "Eu não mexo com ninguém, não roubo, trabalho para sustentar meus vícios". Mas eu, no fundo, no fundo, já esperava que alguém iria tirá-lo de mim. Não foi por falta de aviso e nem de ajuda. Foi a crueldade do ser humano que o tirou de mim. O pai que, quando eu queria, ele se desdobrava e fazia daquele jeito, só para me ver feliz, pai e avô amoroso, carinhoso, foi ausente e presente na minha vida, mas que de forma trágica e cruel foi arrancado de mim.
Pai, você foi e sempre será meu paizinho. Ele tinha um apelido para mim e os netos, que também eram tudo para ele. Eu é ro Birinho); o Léo, Cabeça; a Ana Laura, Nedinha. E assim, eu espero na justiça de Deus, porque a do homem é falha, mas a de Deus não.
Com o coração partido e as lágrimas escorrendo escrevo essas poucas palavras sem nem ao menos me despedir do meu pai e dizer que me perdoe se algum dia te entristeci ou te magoei. Fica uma lição ou um exemplo para aqueles que estão nesse mundo cruel que é o das drogas. Pai, obrigado por tudo o que o senhor, mesmo nas dificuldade, conseguiu fazer para mim e por seus netos Leonardo e Ana Laura. Nunca te esqueceremos. Te amo... Obrigada a todos que estão me dando forças nesse momento.
Andressa Carolina Correia de Sousa