A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, discutirá na segunda-feira (16) com autoridades israelenses a turbulenta situação política do Egito, o programa nuclear do Irã e o paralisado processo de paz entre Israel e os palestinos.
Na sua primeira viagem a Israel em 22 meses -apenas a quarta visita em mais de três anos como secretária-, Hillary deve tratar principalmente da transição política no Egito, onde o presidente islâmico Mohamed Mursi tomou posse há duas semanas.
A queda do presidente Hosni Mubarak no ano passado fez muitos israelenses se perguntarem se o Egito, primeiro país árabe a selar a paz com Israel, em 1979, irá manter as boas relações com o Estado judeu.
Antes de chegar a Israel, Hillary esteve no Egito, onde se reuniu no sábado com Mursi, ex-integrante do grupo Irmandade Muçulmana. Ele disse a ela que o seu país irá respeitar tratados internacionais previamente assinados.
Hillary também se reuniu com o marechal Hussein Tantawai, chefe do conselho militar que assumiu o poder após a deposição de Mubarak, e que agora disputa influência com Mursi.
"No topo (da agenda de Hillary) estarão suas impressões e avaliações sobre os últimos dois dias que ela passou no Egito", disse uma autoridade dos EUA a jornalistas, pedindo anonimato.
"Ela está trazendo uma mensagem muito tranquilizadora", disse Danny Ayalon, vice-chanceler israelense, a uma rádio local, acrescentando que Israel trata a situação no Egito como "uma agenda local".
Na avaliação de Ayalon, Mursi tem como prioridade recuperar a economia egípcia e resolver disputas internas. "Não há mudança (no compromisso do Egito com o tratado de paz), e na minha estimativa não haverá (mudança) num futuro visível."
O funcionário dos EUA que falou à imprensa disse que o programa nuclear iraniano também deve ser objeto de longas discussões entre Hillary e os israelenses. Os EUA e seus aliados suspeitam que o Irã esteja desenvolvendo armas atômicas clandestinamente, algo que Teerã nega, alegando que seu programa nuclear se destina exclusivamente a fins pacíficos.
Israel ameaça atacar instalações nucleares iranianas, mas os EUA, embora tampouco descartem a opção militar, dizem que é preciso dar mais tempo para que a pressão diplomática e as sanções induzam Teerã a abdicar das suas ambições nucleares.
"Com as negociações com o Irã paralisadas e a autodeclarada janela de Israel para a ação se fechando, os EUA sem dúvida sentem a necessidade de fazer os israelenses cerrarem fileiras com Washington, por meio de um envolvimento de alto escalão", disse Rob Danin, analista do Conselho de Relações Exteriores e também assessor do ex-premiê britânico Tony Blair, representante do chamado Quarteto de Mediadores do Oriente Médio (formado por EUA, Rússia, União Europeia e ONU).