11 de julho de 2026
Internacional

Rússia acusa Ocidente de chantagem na questão síria; ONU se reúne quarta


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Moscou - A Rússia disse ontem que vai bloquear no Conselho de Segurança a prorrogação da missão de monitoramento da ONU na Síria, caso as potências ocidentais não parem de “chantagear” com ameaças de sanção a Damasco. O chanceler russo, Sergei Lavrov, adotou um tom duro antes de uma conversa de duas horas em Moscou com o mediador internacional Kofi Annan, ignorando a pressão internacional para que a Rússia e a China parem de dar amparo ao presidente da Síria, Bashar al Assad, que há 17 meses reprime com violência uma rebelião no país.

Diplomatas ocidentais vinham pressionando a Rússia a aceitar um plano de transição de governo na Síria que não inclua Assad.

Segundo Lavrov, a Rússia não apoiará a proposta de resolução sobre os monitores que está sendo discutida no Conselho, porque ela inclui uma ameaça de impor sanções caso a Síria não respeite o plano de paz apresentado por Annan. A proposta de resolução de autoria russa não prevê essa ameaça. Lavrov disse que um eventual acordo deve seguir os princípios delineados numa reunião em 30 de junho em Genebra entre Annan e os países com poder de veto no Conselho. A Rússia entende que o plano de paz não exclui especificamente Assad da transição.

 

Combates na Capital

Forças do governo sírio cercaram combatentes rebeldes em Damasco ontem, no segundo dia de confrontos, descritos pelos moradores como os piores a atingir a capital desde o início da revolta contra o presidente Bashar al-Assad, há 17 meses. Veículos blindados entraram no distrito de Midan, no sul da cidade, e foram apoiados por forças de segurança que cercavam a área no final da tarde. Moradores afirmaram ter visto atiradores nos telhados.

 

ONU vota resolução quarta

O Conselho de Segurança da ONU votará amanhã uma resolução das potências ocidentais que ameaça impor sanções às autoridades sírias caso o regime do ditador Bashar Assad não retire as armas pesadas das cidades.  A Rússia, país com poder de veto no órgão e aliada síria, já afirmou que vetará qualquer proposta de sanções.  A resolução, proposta por Reino Unido, EUA, França e Alemanha, estenderia a atual missão de observadores não armados da ONU por 45 dias (ela expira no próxima dia 20). Coloca ainda o atual plano de paz do enviado especial Kofi Annan sob o capítulo 2 da Carta da ONU, que permite ao Conselho de Segurança autorizar ações que vão de sanções econômicas e diplomáticas à intervenção militar.