09 de julho de 2026
Cultura

É biblioteca, não depósito!

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Jair Marangoni orienta sobre os critérios para a doação 

de livros.

Os livros são excelentes fontes, se não as melhores, de informação e conhecimento. Apesar das novas formas de leitura mediadas por novas tecnologias, as publicações impressas resistem ao tempo e abastecem bibliotecas que atraem milhares de leitores a cada ano. E não é diferente nas bibliotecas espalhadas por Bauru. Grande parte do acervo dessas instituições se sustenta graças às doações de leitores. Porém, o que muita gente não sabe, é que existem critérios para a seleção de publicações. Isso evita que as bibliotecas se transformem em verdadeiros “depósitos” de obras antigas e com informações desatualizadas.

“É importante ressaltar que as doações representam um percentual significativo na manutenção e atualização do acervo das nossas bibliotecas municipais. Mas as obras que chegam precisam passar por uma triagem, sem dúvida”, esclarece o secretário municipal de Cultura, Elson Reis. “Existem normas técnicas da própria biblioteconomia, que estabelecem cuidados ao receber certas publicações que têm prazo de validade”, salienta Elson.

Na lista de livros que passam por rigorosa seleção estão, principalmente, os de caráter didático, como enciclopédias, apostilas, entre outras. “Esses critérios são utilizados em qualquer biblioteca pública. Geralmente, o cuidado maior é com livros didáticos, que são datados e ficam, com o tempo, ultrapassados”, explica o diretor do Departamento de Ação Cultural da Secretaria de Cultura, Jair José Marangoni.

A explicação se faz necessária para evitar casos que são frequentes: a pessoa faz uma limpeza em casa e quer doar livros que não utiliza mais, porém nem todos são aceitos. “É importante saber que existem critérios, até porque temos um espaço cada vez mais lotado. não podemos suportar qualquer tipo de publicação”, enfatiza o diretor. “Tem alguns livros didáticos, de tão antigos, que traziam mapas do Brasil desatualizados, sem o Estado do Tocantins, por exemplo. Acabam virando um desserviço”, exemplifica Marangoni.


Atemporais

Os tipos de obras atualmente mais aceitos em bibliotecas, principalmente as de Bauru, são as chamadas publicações atemporais, como romances, livros de ficção em geral, grandes clássicos da literatura nacional e internacional, gibis e livros de poesias, por exemplo. Além disso, também têm de estar em bom estado de conservação. “A pessoa até poder ter esses tipos de livros em casa e ter a intenção de doá-los, mas é necessário que estejam bem conservados a fim de evitar, por exemplo, contaminações do acervo com fungos e cupins”, ressalta o diretor.

 

A quem recorrer

Se você quer doar os livros que não usa mais, mas eles não estão em boas condições de conservação e nem se enquadram nos critérios para as bibliotecas aceitarem, o que você faz? O diretor do Departamento Ação Cultural da Secretaria de Cultura, Jair José Marangoni, esclarece a questão. “Nestes casos, orientamos as pessoas a procurarem centrais de lixo reciclável ou entidades que possam aceitá-los, como escolas e associações de bairros. Estes locais podem se interessar, principalmente, por enciclopédias e apostilas de forma geral”, ressalta.

Há, ainda, a opção – importante em tempos de respeito ao meio ambiente – de separar o material para ser recolhido pela coleta seletiva executada periodicamente nos bairros pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). O telefone de contato da Semma é o (14) 3235-1128.

 

Atendimento ‘bibliotecário’

O Sistema Municipal de Bibliotecas é integrado pela Biblioteca Municipal “Rodrigues de Abreu”, a Biblioteca Infantil “Ivan Engler de Almeida”, a Gibiteca Municipal “Aucione Torres Agostinho”, seis Bibliotecas Ramais e o Bibliônibus que atende eventos e escolas por agendamento. Esses equipamentos culturais são responsáveis pela elaboração, execução, acompanhamento e avaliação dos projetos e atividades da área de literatura e de incentivo a acesso à produção literária e à literatura.

A Biblioteca Central é informatizada desde 31 de agosto de 2002 e conta com um total de 15 mil usuários atendidos. Nas ramais, o número atendido é de cerca de 10 mil usuários. A Biblioteca Infantil conta com uma brinquedoteca e espaço para teatro de fantoches, onde as crianças são recebidas de forma lúdica. São desenvolvidas atividades de contação de histórias, oficinas, concursos de frases etc. A Gibiteca foi criada para atender pessoas de todas as idades e abrange em seu acervo  exemplares de todos os gêneros das histórias em quadrinhos.