Jaú – Uma faxineira encontrou feto de aproximadamente cinco meses dentro do vaso sanitário de posto de saúde no jardim Padre Augusto Sani, em Jaú (47 quilômetros de Bauru). A mãe do bebê, que havia passado por atendimento na unidade com fortes cólicas, foi identificada e alegou não ter percebido o aborto. A Polícia Civil instaurou inquérito e aguarda o resultado dos laudos para apurar eventual crime.
De acordo com a Polícia Militar (PM), o fato ocorreu anteontem, por volta das 22h30. Durante a limpeza de rotina do banheiro, a faxineira do posto de saúde percebeu que o vaso sanitário estava entupido e constatou que haviam vários papéis com sangue no local. A enfermeira da unidade foi chamada e, ao verificar o que havia dentro do vaso com ajuda de uma escova, encontrou um feto com aproximadamente cinco meses.
Os policiais militares foram acionados e, durante conversa com funcionários, estes informaram que uma jovem de 24 anos havia recebido atendimento médico, momentos antes, reclamando de fortes cólicas abdominais. Essa paciente foi identificada e confirmou à polícia que havia utilizado o banheiro do posto após forte sangramento, dado descarga e ido embora, sem perceber que havia expelido o feto.
A mulher foi conduzida à Santa Casa, onde os médicos constataram que ela havia sofrido aborto. Após ser submetida à curetagem (procedimento médico utilizado para a retirada de material placentário do útero), ela permaneceu internada na unidade em observação. O feto foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para realização de exame necroscópico que irá apontar as causas da morte e ajudar a esclarecer se o aborto foi espontâneo ou provocado.
Depoimentos e laudos
A ocorrência foi registrada no plantão policial e encaminhada ontem à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jaú. Segundo a delegada titular da DDM, Isabel Cristina Maziero Martignago, foi instaurado inquérito policial para apurar um eventual crime de aborto. “Alguns profissionais da saúde que atenderam essa gestante que foi identificada já foram ouvidos. Ainda temos que ouvir outros profissionais da saúde e a própria gestante”, explica.
A delegada revela que também está aguardando o resultado dos laudos solicitados ao IML e Instituto de Criminalística (IC), entre eles o exame necroscópico do feto e exame de corpo de delito da mãe, para que os fatos possam ser melhor analisados. O depoimento da jovem, de acordo com a titular da DDM, deve ocorrer assim que ela tiver alta médica. O prazo para conclusão dos trabalhos é de trinta dias.