11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

De Lugo a Franco - futuro Paraguaio na América do Sul


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Caros leitores, se faz importante a reflexão sobre esse assunto, em razão da importância do Paraguai (até a data do impeachment) como membro do Mercosul, bem como a posição estratégica que o Brasil credita a este país referente às questões agrárias e energéticas. Este artigo segue com um propósito de análises históricas e contemporâneas que permitem a reflexão sobre uma das mais significativas mudanças políticas na América do Sul desde o início dos processos democráticos na região, ou seja, a recente queda do governo Fernando Lugo no Paraguai, por golpe de estado, no último dia 22 de junho.

A entrada de Fernando Lugo no governo paraguaio ocorreu em 2008 e pôs fim a um regime de 70 anos do Partido Colorado (sendo a maior parte destes no governo do General Alfredo Stroessner). Desde então, o Partido Colorado busca insistentemente instaurar o processo de impeachment a Fernando Lugo, membro do Partido Democrata Cristão, aliado ao Partido Liberal. O estopim encontrado pelos opositores de Lugo para instauração do processo de impeachment foi a crise agrária evidenciada pela morte de 18 pessoas em uma determinada fazenda, cujo dono era um senador do Partido Colorado, fato esse que aumenta a confrontação sem precedentes entre os partidos políticos no Paraguai.

Contudo, para muitos (li artigo no JC a respeito), a mudança política do Paraguai não foi um golpe de estado, mas sim uma necessidade na qual os governantes paraguaios incumbiram-se de efetivar a destituição de Lugo para melhoria das condições políticas, econômicas e sociais da sociedade paraguaia. Porém, é importante ressaltar que no sistema presidencialista a queda de um presidente só ocorre quando o mesmo comete algum crime de responsabilidade. Outro exemplo é o sistema parlamentarista, onde a queda do primeiro ministro só ocorre pelo voto de desconfiança no parlamento, ou seja, não encontramos nenhuma semelhança com esses sistemas ao longo do processo de destituição de Fernando Lugo.

No entanto, como conseqüências deste impeachment, o atual governo paraguaio (Federico Franco) sofrerá retaliações significativas pelos países membros do Mercosul, bem como demais países da América do Sul. De que forma? Recentemente, observamos os presidentes de Equador, Argentina e Brasil posicionando-se contrários ao reconhecimento do novo governo por violar os princípios democráticos, portanto, assim como nos demais países citados, particularmente no caso brasileiro (que recebe 1/5 da energia elétrica além de brasileiros em terras paraguaias para fins agrários), as relações econômicas serão afetadas.

Existem os radicalistas de plantão que serão favoráveis à ingerência militar para retomada do poder democrático, porém, devo informar-lhes que é característica sul-americana não efetivar a intervenção política ou armada. Portanto, somente revoluções internas serão aceitas para a mudança da realidade paraguaia. Vamos acompanhar com atenção o desfecho do conflito, pois poderemos trocar Lugo por Hugo no Mercosul, fato esse um passo extraordinário para o futuro da América do Sul.

Rafael Aguiar - aluno de Relações Internacionais ? Iesb-Preve