08 de julho de 2026
Internacional

Síria: resolução da ONU é bloqueada


| Tempo de leitura: 3 min

Damasco - O ditador da Síria, Bashar Assad, apareceu na TV pela primeira vez após o atentado que matou três membros do alto escalão de seu regime, enquanto os confrontos em Damasco entravam no quinto dia e, na ONU, Rússia e China vetavam mais uma resolução com sanções aos sírios.

A TV estatal mostrou Assad dando posse ao general Fahd al Freij, novo ministro da Defesa. O anterior, Daud Rajiha, foi um dos mortos no ataque de quarta-feira ao Departamento de Segurança Nacional, no centro da capital.

Aparentemente, a aparição na TV visava desfazer os rumores de que o ditador teria saído de Damasco e ido para Latakia, no noroeste do país, para planejar uma resposta ao ataque. Especula-se que a explosão tenha sido obra de um homem-bomba que fazia a segurança de oficiais sírios.

O general Freij disse que o atentado não dissuadirá o Exército de lutar contra terroristas, a quem o regime de Assad atribui a culpa pela violência desde o início da revolta na Síria - que matou ao menos 15 mil desde março de 2011, segundo estima a ONU.

Na capital, forças de segurança empregaram helicópteros e artilharia contra os rebeldes por toda a madrugada e a manhã de anteontem, conforme relatos dos moradores.

Testemunhas disseram ter visto explosões nas zonas sul e nordeste de Damasco e cadáveres pelas ruas. Segundo uma delas, insurgentes atacaram também o QG da polícia. Casas e lojas foram fechadas por medo da violência.

Pessoas em fuga das áreas de conflito se esconderam em lugares como a histórica mesquita de Umayyad, na parte velha da capital. No Líbano, país vizinho, fontes de segurança estimam que 20 mil sírios já tenham cruzado a fronteira em busca de refúgio.

Os rebeldes disseram dominar a principal passagem na fronteira com o Iraque e pelo menos dois postos na divisa da Síria com a Turquia, além de terem supostamente libertado a cidade de Azaz.

A informação sobre a fronteira com o Iraque foi confirmada por Hakim al Zamili, líder da Comissão de Defesa do Parlamento iraquiano. O conflito e a censura da Síria à imprensa impedem verificação independente das notícias.

 

Votação na ONU

Enquanto isso, nas Nações Unidas, Rússia e China - os principais aliados de Assad entre as grandes potências - vetaram pela terceira vez no CS (Conselho de Segurança) resolução que propunha impor sanções à ditadura síria.

O texto vetado dava dez dias para que o regime sírio parasse de usar armas pesadas, sob pena de sofrer punições econômicas de acordo com o Capítulo 7 da Carta da ONU - que também prevê a possibilidade de ação militar.

Dos 15 membros do CS - cinco permanentes (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China) e dez provisórios -, 11 votaram a favor da resolução, e dois, África do Sul e Paquistão, se abstiveram. Só russos e chineses, que têm poder de veto, se posicionaram contra.

“Não podemos aceitar um texto baseado no Capítulo 7. Ele abriria o caminho para a intervenção militar externa em assuntos da Síria”, disse o embaixador russo nas Nações Unidas, Vitaly Churkin.

O embaixador britânico no órgão, Mark Lyall Grant, se disse “horrorizado” com o veto. A embaixadora americana, Susan Rice, disse que o Conselho “fracassou completamente” e que os EUA buscariam outros meios de pressionar o regime sírio e levar ajuda humanitária ao país.

Para substituir a resolução vetada, o Reino Unido propôs um texto que apenas estende por 30 dias o mandato da missão de monitores desarmados da ONU, que se encerria ontem. Ele não havia sido votado até a conclusão desta edição.

Em discurso de despedida de Damasco, Robert Mood, chefe da missão, pediu “liderança efetiva” do CS para resolver o conflito. Ele deverá ser substituído pelo senegalês Babacar Gaye, principal assessor militar da ONU.

 

Refugiados

Fontes de segurança do Líbano informaram ontem que cerca de 20 mil sírios pediram refúgio no país desde anteontem, sendo 6.200 somente entre às 6h e às 18h locais. A fuga seria reflexo do ataque contra membros do alto escalão do regime sírio, em Damasco.