Jamais na história da Seleção Brasileira uma derrota para a Argentina foi tão bem recebida quanto a do dia 9 do mês passado, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Apesar da óbvia decepção com o placar de 4 a 3 para os vizinhos, público e crítica aprovaram a atuação do time olímpico do Brasil naquele amistoso. E ninguém ficou tão satisfeito quanto Mano Menezes, tanto que na cabeça do treinador aquela partida virou um modelo a ser seguido. A começar por hoje, quando a Seleção fará o seu único amistoso de preparação para os Jogos Olímpicos, às 15h45 (de Brasília), em Middlesbrough, contra a Grã-Bretanha, anfitriã da Olimpíada.
Naquela tarde de sábado em Nova Jersey, os meninos brasileiros surpreenderam quem acreditava que eles iriam levar um baile da equipe principal da Argentina. Pois os garotos jogaram como gente grande, no ataque, querendo sempre assumir o controle do jogo. É exatamente isso o que Mano Menezes quer ver hoje - um time agressivo, que pressione a defesa adversária para roubar a bola perto do gol britânico. E é isso, evidentemente, o que o gaúcho deseja ver na partida contra o Egito, na próxima quinta, a primeira do Brasil nos Jogos.
“Nós fizemos alguns amistosos fortes, como esse contra a Argentina, e penso que se fomos capazes de fazer o que fizemos contra o time principal da Argentina, temos de fazer mais e melhor contra equipes sub-23”, disse Mano Menezes, para logo em seguida soltar uma frase que resume o que o amistoso de Nova Jersey significou: “Penso que aquele jogo é o nosso parâmetro”.
Para o treinador, depois de uma atuação tão animadora em um jogo tão difícil, qualquer coisa menor do que aquilo será uma decepção, especialmente porque o adversário de hoje (assim como todos os que o Brasil enfrentará nas Olimpíadas) é jovem, tem poucos jogadores de primeiro escalão - na verdade, tem só um, o veterano Ryan Giggs, que atua no Manchester United.
Mano rechaça obsessão por ouro inédito
Lembrando as Olimpíadas anteriores, Mano Menezes rechaçou a possibilidade de o fato de o futebol brasileiro nunca ter conquistado uma medalha de ouro estar atrapalhando a equipe. Para ele, o Brasil terá que esquecer os tropeços passados e o individualismo se quiser sair de Londres em primeiro lugar.
“Sempre tivemos bons jogadores, então o problema (nas outras Olimpíadas) não esteve nisso. A solução está em trabalhar, abrir mão da vaidade pessoal. Porque é assim que as coisas são. Sempre há um herói, um vilão. Então temos que ambicionar algo maior. (...) O grupo atual não pode ganhar as medalhas que o Brasil não ganhou. Essas já foram. É em cima disso que estamos trabalhando”, explicou ele.
Mano ainda elogiou o comprometimento de seus comandados e citou três seleções que acredita que possam trazer problemas para o Brasil ao longo da competição.
“Te garanto que ninguém vai querer ser campeão mais do que o Brasil. Isso é um compromisso dos jogadores. Mas não temos a ilusão de que eles (adversários) irão querer menos do que nós. Iremos enfrentar equipes tradicionais. Como o Uruguai, a Espanha, que vem em uma fase boa há muito tempo, e o México, que fez uma boa preparação e não pulou nenhuma etapa”, diz.
Formação repetida
Como já se sabe há bastante tempo, Mano Menezes vai repetir o time que perdeu para Messi, ou melhor, para a Argentina, com exceção da volta do zagueiro Thiago Silva, que não disputou aquela partida por causa de uma lesão no joelho direito. A formação tática também será a mesma, com Oscar armando as jogadas de ataque pelo lado direito, Hulk fazendo o mesmo pela esquerda e Neymar jogando pelo meio, mas com liberdade para se deslocar para onde quiser. Leandro Damião será o único jogador fixo no ataque.
Rafael Silva, lateral-direito do Manchester United (o sobrenome foi acrescentado para distingui-lo do goleiro Rafael Cabral), ganhou a posição de Danilo justamente no jogo contra a Argentina, onde se não brilhou, também não comprometeu. Ele, no entanto, não é o que se costuma chamar de titular absoluto, por isso precisa jogar bem para não correr o risco de voltar para o banco, onde estará sentado Paulo Henrique Ganso. “Atropelado” por Oscar na disputa pela camisa 10, o meia do Santos espera ter a chance de estar em campo pelo menos por alguns minutos para começar a recuperar o brilhante futebol que não exibe há séculos. Não será nada fácil.