A Coreia do Norte prepara uma experiência com reformas agrícolas e econômicas, depois de o jovem líder Kim Jong-un e seu influente tio terem afastado o chefe militar do país por se opor às mudanças, segundo uma fonte ligada aos governos de Pyongyang e da aliada China.
A fonte acrescentou que o regime comunista do empobrecido país criou um órgão especial para tirar dos militares o controle sobre a economia. A queda do vice-marechal Ri Yong-ho, vice-presidente da importante Comissão Militar Central, é parte desse processo de reformas.
A fonte que falou à Reuters tem histórico de confiabilidade em informações sobre a Coreia do Norte, inclusive ao relatar em 2006 que o país preparava um teste de arma nuclear, que aconteceu dias depois.
Foi essa fonte também que apontou a ascensão de Jang Song-thaek, que assumiu posição de destaque no regime ao se casar com uma irmã do falecido líder Kim Jong-il, pai do atual governante. Diante da inexperiência de Kim Jong-un, que tem menos de 30 anos e assumiu o poder em dezembro, Jang é apontado como uma espécie de "regente".
Sob o comando de Kim Jong-il, a Coreia do Norte adotou a política conhecida como "os militares em primeiro lugar", o que acentuou o isolamento e a pobreza do país.
Segundo a fonte, que pediu anonimato, Ri era "o mais ardoroso defensor" da política militarista de Kim Jong-il, e sua destituição, noticiada neste mês, ocorreu por causa da resistência do vice-marechal em aceitar que o governo substitua as Forças Armadas no comando econômico.
A agência estatal KCNA atribuiu o afastamento de Ri a motivos de saúde. As revelações feitas pela fonte indicam que Kim Jong-un e Jang conseguiram consolidar ainda mais seu poderio político e militar, em meio a uma disputa de poder no misterioso Estado comunista.
Kim foi nomeado marechal nesta semana. Ele já é o dirigente máximo do Partido dos Trabalhadores da Coreia (comunista), e preside a Comissão Nacional de Defesa.
Procurada por telefone, a embaixada norte-coreana em Pequim não quis se manifestar.