09 de julho de 2026
Internacional

Forças do governo sírio tentam reagir a avanço rebelde

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Damasco - Após seis dias de confrontos com a oposição na capital síria, forças do regime de Bashar Assad endureceram o cerco aos rebeldes e retomaram o bairro de Midan, próximo ao centro de Damasco.

Segundo a TV estatal, as tropas do governo “limparam totalmente Midan dos resíduos dos terroristas mercenários”. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado em Londres, sete tanques do Exército foram enviados ao local.

Testemunhas disseram que, durante a madrugada de ontem, helicópteros das forças oficiais lançaram foguetes e atiraram com metralhadoras em distritos tomados.

Os rebeldes, contudo, alegam que a saída do bairro de Midan foi uma “retirada estratégica” da oposição. “Ainda estamos em Damasco”, garantiu Abu Omar, um comandante rebelde, à Reuters. O regime endureceu a repressão depois do atentado na última quarta-feira, que matou quatro funcionários de alto escalão de Assad.

Um deles, o chefe da segurança nacional Hisham Ikhtiar, responsável pela Inteligência, morreu ontem em decorrência dos ferimentos causados pela explosão.

Nas fronteiras do país, a disputa também seguiu hoje. Na divisa com a Turquia, o posto de Bab al-Hawa teria sido reconquistado pelo regime, mas outros dois, na fronteira com o Iraque, seguiam em poder dos opositores.

Com o aumento da violência, até 30 mil sírios teriam cruzado a fronteira do país com o Líbano desde anteontem, segundo o Acnur, agência da ONU para os refugiados. Ainda há ondas de migração para o Iraque, a Jordânia e a Turquia.

 

ONU

Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU decidiu estender a missão de observadores no país por mais 30 dias. O mandato do grupo terminava ontem.

A proposta britânica, que previa, além de sanções, mais 45 dias para a missão, havia sido vetada no dia anterior por Rússia e China.

 

Brasileiros deixam Damasco

Brasília - Diante da escalada de violência na capital síria, o embaixador brasileiro em Damasco, Edgard Casciano, e quatro funcionários brasileiros foram transferidos ontem para Beirute, no Líbano.

A embaixada em Damasco não foi fechada e será mantida por cinco servidores locais, que atenderão os brasileiros que vivem no país.

Passaportes e outros documentos, contudo, só poderão ser emitidos pelos diplomatas no Líbano ou pela embaixada em Amã, na Jordânia.

A decisão veio de Brasília, como noticiou o jornal “O Globo” ontem. A retirada foi sugerida pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e teve o aval da presidente Dilma Rousseff.  De acordo com o chanceler, a situação na Síria “está se deteriorando”. “A região da Embaixada do Brasil passou a fazer parte de uma zona conflagrada”, disse.