Cartas de amor todas as manhãs acompanhadas por flores trazidas da feira. Era assim, de forma simples, fiel e carinhosa, que o contador filho de japoneses e dono do título de “último romântico” Luiz Marono demonstrava seu amor por sua esposa e família.
Como primeiro representante nipônico no Banco do Brasil, que chamava de sua segunda família, ele permaneceu fiel até os últimos minutos de sua morte com um brasão em homenagem às décadas de amor pelo trabalho.
Luiz Marono faleceu na madrugada de ontem, aos 89 anos, no Hospital de Base (HB) de Bauru, vítima de complicações respiratórias causadas pelo início de uma pneumonia. O velório ocorreu ontem, no salão nobre do Terra Branca. O enterro foi realizado às 16h30 no Cemitério da Saudade.
“Além de ser o chefe da família e doar a alma pelos filhos, ele era muito amoroso e muito, mas muito romântico. Fará muita falta para todos nós”, lamentava a esposa, Reny de Almeida Manoro, 86.
“Eu nunca vi um homem tão apaixonado pela vida, pela família e pelo trabalho como ele. Escrevia muito bem e era muito ativo”, completa o genro Aldo Zebine.
Histórico
Em entrevista concedida ao Jornal da Cidade no ano de 2008, Marono contou os momentos difíceis que passou no início de sua carreira como bancário e aproveitou para se declarar a Reny, companheira com a qual completaria 67 anos de união amanhã.
“Quando meus amigos viram minha esposa ficaram admirados. Eles não entendiam como eu consegui casar com uma mulher tão bonita (risos)”, narra Marono em um trecho de sua entrevista, afirmando que o casamento fora um dos motivos que o fez entrar para o Banco do Brasil (BB).
Filho de imigrantes japoneses, Marono conheceu Bauru logo em seus primeiros anos de vida, quando seu pai veio do Japão à cidade com a proposta de trabalhar na estrada de ferro Noroeste do Brasil (NOB).
Após passar em um concurso público, ele entrou para a história do BB como o primeiro descendente japonês a ingressar na instituição. No início da carreira, o contador submeteu-se a diversas situações complicadas por conta da falta de estrutura das cidades onde morou.
Quando conseguiu a transferência para uma agência em Bauru, acabou eleito presidente do Clube dos Bancários, ocupando o posto por mais de 14 anos. Aposentou-se em 1975 como chefe de seção.
“Ele era um guerreiro e um exemplo de amor, honestidade e respeito ao próximo para todos os que o conheciam”, ressalta a filha caçula Marisa. Marono deixa a esposa Reny, os filhos Walter, Maria Augusta (em memória) e Marisa, além de seis netos e um bisneto.