A força da Região Metropolitana de São Paulo e sua essência, a cidade de São Paulo, é inegável e sensível. O interior do estado foi transformado no final do século XIX e início do século XX, após a chegada das companhias férreas ligando nossas cidades com a capital que intermediava a produção de café com o porto de Santos. Esse evento possibilitou a diversificação produtiva e de consumo, a proliferação cultural e a difusão da mão de obra imigrante no interior do estado. A ferrovia foi hegemônica, conjuntamente com o telégrafo e, posteriormente, o sistema de telefonia para a ligação com a capital até a década de 1950. São Paulo exerceu sobre as cidades não apenas os poderes político e econômico, mas desde o início do século foi responsável pela influência cultural e social para as cidades do interior. A capital aglomerou os serviços da riqueza do café e construiu a infraestrutura que, após os anos 30, serviu para o processo de industrialização que o país atravessou. Mesmo com a desconcentração industrial, saída de empresas da capital e região metropolitana, a partir dos anos 1970, a cidade se transformou em polo de serviços, cultura e indústrias de alto valor agregado. No ano de 2011, a cidade foi a quarta metrópole que recebeu mais investimentos no mundo, especialmente investimentos voltados a escritórios de representação e empresas do setor financeiro, segundo uma revista especializada em economia. A cidade e região de Bauru, nos anos 70, pouco se beneficiaram do movimento de desconcentração industrial da capital paulista, as cidades que estavam em seu entorno até 200 km e com boa infraestrutura receberam as empresas industriais. Bauru, pela sua distância e difícil acessibilidade, foi pouco agraciada por esse deslocamento geográfico-econômico.
A razão da frágil acessibilidade como exposta acima não pode ser uma barreira atual e futura para o município. Exemplo disso foi a duplicação da rodovia Marechal Rondon, que teve impactos positivos desde 1999. Assim, a economia da região pôde usufruir de um contato mais sofisticado com a capital. Sendo a cidade mais importante do país, da América Latina e do hemisfério sul, São Paulo continuará influenciando, também, o Estado. As cidades que estiverem com as infraestruturas físicas e virtuais mais ligadas à capital poderão usufruir de vantagens socioeconômicas e políticas incomparáveis. Bauru, através de sua governança, tem o dever de aumentar os laços com a cidade de São Paulo para não perder essas possibilidades atuais e futuras.
A sofisticação e evolução dos meios de transportes que conectam a cidade com a capital se fazem necessárias a cada momento. O barateamento e a diversificação (aerovia e rodovia) dos modais de transportes são fundamentais, pois a acessibilidade das pessoas é o combustível para o contato técnico, educacional, trabalhista e de turismo entre Bauru e São Paulo. Uma cruzada entre os empresários e os dirigentes municipais deve existir para dar robustez a esse arterial contato. Quanto à conexão política, os representantes da cidade na Assembleia Legislativa devem aumentar, pois nosso potencial político não é apenas para um representante. Vale destacar que a falta de representantes na escala federal é fruto de uma classe política despreparada e sem interesse pelos assuntos e projetos da cidade e sim, interesses particulares. Um ambiente perceptível da forte relação da capital com o município é propício para investidores e a criação de mobilidade de ideias, cultura e avanço econômico. Bauru não pode preterir da conexão com a capital para complementar e potencializar seu crescimento, pois a capital continuará concentrando o que o país tem de melhor na economia e na cultura.
O autor, Eli Toledo, é doutorando em Geografia Econômica pela Unesp ? Rio Claro, professor, e bacharel em Comunicação Social pela Unesp ? Bauru, e-mail eli_geo@yahoo.com.br