08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Meu neguinho pele e osso


| Tempo de leitura: 3 min

No dia 15/7/2012, foi publicada matéria no Jornal da Cidade sobre ele. Para os amantes de coração, estou escrevendo para dizer que ele já se alimenta sozinho, já faz gracinha abanando o rabinho e, às vezes, até ronca quando chego perto da sua comida. Que felicidade vê-lo assim, felicidade que talvez outros tivessem, se teriam um espacinho para colocá-lo. O veterinário que o atendeu, no sábado, disse que ele só sobreviveu, porque eu disse que tinha umas latas com água suja, talvez de chuva.

Minha amiga, fazendo caminhada, o avistou e ligou para uma ONG, falando com a Fátima que a atendera. Ela disse que não tinha como abrigá-lo. Então, ela ligou para o CCZ, falou com a Terezinha e ouviu a mesma coisa. Só uma diferença: que iriam vê-lo na segunda. Será que desde as 15h30 do dia 13 até segunda, dia 16, ele teria o que comer? Não faria frio, ele não teria o restinho de sua vida sugados pelas pulgas e carrapatos? Quando fiquei sabendo já eram 19h. Não pensei duas vezes se tinha ou não lugar para abrigá-lo. Meu coração falou mais alto. Fomos eu e meu marido buscá-lo. Com uma lanterna, o meu marido o localizou, agachadinho num colchão velho, cheio de pulgas. Enrolei num lençol, coloquei numa caixa e trouxe para casa. Somente passei nele Frontilaine. Não tinha condições de catar as pulgas e carrapatos. Eram milhares. No dia seguinte, consegui cuidar melhor dele. Está desde sexta-feira no banheiro do meu quarto. Não é um lugarzinho que qualquer um pode ter numa emergência?

Será que se fosse uma criança os vizinhos não tomariam providências. Falei com um moço que mora ao lado e ele disse que mais ou menos há uns quatro dias teria visto ele lá, mas nada fez. Que crueldade, que coração frio! Se fosse um cachorro de raça tenho certeza que qualquer um pegaria, não é mesmo? Por isso, quando digo que amo mais os animais do que crianças, os outros ficam chocados comigo. Será que estou errada? Os bichos são indefesos, mas com imenso amor para te dar enquanto ele viver. Pelo amor de Deus não os abandonem, pois eles jamais fariam isso conosco.

Já salvei muitos debilitados, já perdi a conta, mas enquanto viveram foram tratados com dignidade, esta que falta para a maioria dos seres humanos, se eu assim conseguir chamá-los, pois animais será que são eles ou muitos humanos que só causam problemas? Esta pessoa que o abandonou lá um dia vai prestar contas com Deus, pois ele é justo e julga com amor e justiça. Jesus morreu pelos seres humanos, mas também deixou registrado na Bíblia que nós tínhamos que amar todos os seres viventes. Faça a sua parte, porque eu, mesmo doente, com depressão, faço a minha. Quando acordo triste são eles que me alegram e me fazem ver que ainda vale a pena viver com tanta crueldade que existe neste mundo. Deixo esta mensagem para você, leitor, que se sensibilize pela causa animal, pois são feitos de carne e osso, precisam de tudo que nós precisamos para sobreviver também.

Os bichinhos, muitas vezes, quando pequenos servem de brinquedos para crianças, mas quando crescem vem o problema e aí são descartados. Se ficarem doentes pior ainda. São jogados fora como lixo. Pela minha vida já se passaram muitos. Somente pedi ajuda e fui atendida pela Damair, que castrou 12 gatinhos, senão teriam sido descartados, pois não tinham para onde ir. Agora, estão no meu gatil. Sempre me virei sozinha para sustentá-los. Nunca ficaram sem carinho e amor.


Cleuza Francelino Moreira Floriano