08 de julho de 2026
Cultura

Na bancada da dança do ventre

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Sensualidade não falta a ela, nem experiência. Prestes a completar 26 anos, a bauruense Mariana de Oliveira – mais conhecida como Jade Suhaila – vai comemorar o aniversário de forma bastante diferente. A dançarina e professora de dança do ventre e tribal vai levar todo seu profissionalismo para o renomado Concurso Interamericano de Dança de Corrientes da Confederação Interamericana de Profissionais da Dança (Ciad), na Argentina. Ela participará como jurada do evento, já que recentemente se tornou membro da Ciad, que tem o argentino Rodolfo Chávez Solmoirago como atual presidente.

Jade será a única brasileira a compor a bancada de jurados desta edição do evento, e avaliará números de dança ao lado de examinadores de outros países, e também junto ao próprio Rodolfo. A dançarina conta que a expectativa e ansiedade são grandes, já que o Concurso Interamericano de Dança da Ciad reúne bailarinos e dançarinos de toda a América Latina, assim como do México.

Ela parte hoje para a Argentina e participará do concurso no próximo final de semana, nos dias 27, 28 e 29 de julho. “Vou ser a única jurada de dança do ventre geral, e serão 180 danças por dia para avaliar”, relata. “Sempre tive vontade de integrar o Ciad, que teve até então poucas brasileiras contempladas. Para se tornar membro, o processo é bem rigoroso, há análise de currículo. E eu não esperava ser escolhida”, salientou Jade.

Antes da efetiva participação no concurso, Jade, que também é professora de dança do ventre, passará por um treinamento com o presidente do Ciad. “Serei a primeira brasileira treinada pelo Rodolfo para ser jurada. O treinamento é necessário para poder saber avaliar a postura em palco, questão cênica, entre outros quesitos”, detalha.

Jade já saiu vitoriosa do Festival Ciad Atenas de Dança, realizado na Grécia em 2008, com a conquista do primeiro lugar na modalidade dança do ventre estilo tribal americano. Em companhia da professora Márcia Nuriah, Jade ainda participou do Congresso Mundial de Danças da Unesco, realizado de 2 a 6 de julho também na Grécia. É ainda membro também do Conselho Internacional CID-Unesco e também do Dancers South America (DSA).

Atualmente, a professora ministra aulas de dança do ventre em vários níveis no Ballet Vitória Régia e na Sigma, e coleciona alunos também pela região. Jade se apresenta em shows e segue ministrando cursos, workshops de dança etc. “A dança do ventre é bem valorizada e procurada no Brasil. São vários países árabes e, por isso, os estilos são também bem diversificados”, aponta.

De Mariana para Jade

Por conta da sensualidade, característica marcante da dança do ventre, Jade Suhaila - nome artístico de Mariana de Oliveira - teve que esperar até os 14 anos para começar a dedicar-se à paixão que cultivava desde criança. E foi ocultando a verdadeira idade e mantendo em segredo as aulas do conhecimento da mãe que a dançarina deu início a prática de aulas que já ultrapassa dez anos.

É claro que a peripécia da adolescente não ficou oculta por muito tempo, nem para a mãe, nem para os professores. Mas diante do promissor talento de Jade, que com apenas um mês de aula já passou a integrar o grupo profissional do Teatro Municipal, todos se renderam. O apelido, hoje mais conhecido do que o próprio nome, vem dessa época. Quando a bauruense começou seu aprendizado na dança do ventre, começava também a novela “O Clone”, exibida pela Rede Globo. Foi assim que Giovana Antonelli, protagonista da trama permeada pela cultura árabe, transformou Mariana em Jade.