08 de julho de 2026
Nacional

Governo cede e dá reajustes de 25% a 40% para professores


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Brasília - O governo federal cedeu à pressão dos professores universitários e de institutos de pesquisa e apresentou contraproposta de reajuste de 25% a 40%. Os novos porcentuais terão impacto de R$ 4,2 bilhões no Orçamento da União.

Há duas semanas, o governo ofereceu aumento entre 12% e 40% ao longo dos próximos três anos para a categoria, que está em greve há mais de dois meses - os números divulgados foram de 16% a 45% porque o governo incluiu um porcentual de aumento que já havia sido anunciado. Na proposta anterior, o impacto estimado era de R$ 3,9 bilhões.

“Acreditamos que essa proposta é um movimento suficiente do governo para que a greve termine”, afirmou Sérgio Mendonça, secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento. “Nosso desejo é pôr fim a greve”, disse Marco Antônio Oliveira, secretário de Educação Profissionalizante e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC).

A situação “delicada” é o corte de ponto dos grevistas. Tanto Oliveira quanto Mendonça observaram que há uma determinação para cortar o ponto dos servidores públicos em greve.

O governo espera que as entidades representativas de professores respondam no início da semana que vem se aceitam a contraproposta. A presidente do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes), Marinalva Oliveira, não gostou da proposta. “Não resolve o problema de desestruturação da carreira.” Segundo ela, a categoria não aceita concessão de porcentuais diferenciados para docentes com título.

Para o presidente da Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), Eduardo Rolim, a contraproposta é satisfatória.

Os novos porcentuais de reajuste não atingem os professores que estão no topo da carreira. Os titulares, com doutorado e dedicação exclusiva, mantiveram o aumento em seus salários, que vão saltar de R$ 12.224,56 para R$ 17.057,74. Os vencimentos dos docentes com doutorado e 40 horas semanais pularão dos R$ 5.918,95 propostos pelo governo há duas semanas para R$ 7.859,61. O governo concordou em antecipar os reajustes de julho para março de 2013 a 2015.

 

Protesto de servidores

Brasília - Cerca de 150 servidores sentaram na rampa do Palácio do Planalto, em protesto. Os servidores, todos do Executivo, condenam a atitude do governo, que, além de não apresentar proposta aos grevistas, determinou corte de salários. “Estamos há 36 dias em greve e o governo não apresentou nenhuma proposta”, declarou César Leite, do Ministério da Saúde. Eles esperavam ser recebidos ainda ontem pelo ministro Gilberto Carvalho.

Preocupado com os desdobramentos da greve em setores do funcionalismo público, o governo sugeriu uma pausa na paralisação até meados de agosto. Em troca, o Planalto aceitaria negociar o ponto cortado dos cerca de 350 mil servidores que aderiram ao movimento, segundo o secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindsep-DF), Oton Pereira Neves. Uma nova reunião deverá ocorrer até amanhã entre sindicalistas e o Ministério do Planejamento para tratar especificamente do ponto cortado.