A pavimentação da avenida José Vicente Aiello, no trecho entre o Cemitério do Ypê até a rodovia Bauru-Ipaussu, depende do espírito público e da vocação “comercial” dos proprietários de imóveis ao longo do trecho. As desapropriações custam caro e podem atrapalhar o já adiantado processo de contratação da pavimentação da ligação.
A Prefeitura de Bauru, como em outras ocasiões, não se planejou e não conta com política de acordos para futuras implantações de infraestrutura urbana, conforme crítica antiga do vereador Marcelo Borges (PSDB). Com isso, a administração municipal vive “correndo atrás da liberação de áreas para projetos em cima da hora”.
A correria e a iminência da supervalorização dos lotes em razão da chegada de infraestrutura vira obstáculo. Embora os proprietários de imóveis nestas condições ganhem muito dinheiro em razão da valorização, nem todos estão dispostos a abrir mão de uma fatia em forma de desapropriação.
Sem dinheiro em caixa para sustentar todas as indenizações por desapropriação, o poder público tenta correr para não interferir no cronograma da futura obra. É o caso da Vicente Aiello. O projeto vem sendo discutido junto ao governo do Estado há mais de dois anos. Mas, como a viabilização do recurso saiu há alguns meses, a administração também não cuidou de, antes, firmar acordos para doação de trechos por onde vai passar o asfalto.
De sua parte e diante da necessidade de liberar a obra para não perder o recurso agora já em fase de licitação para ser aplicado no local, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) faz apelo para doações. “Os proprietários de imóveis nessa ligação estão sendo muito beneficiados com a obra. Faço um apelo para que realizem doações para agilizar o processo, já que o asfaltamento vai gerar supervalorização nesta ligação. Mas é preciso acelerar isso para não atrasar a obra, porque a licitação já está sendo concluída pelo Estado”, pede o prefeito.
Adesão
Consultado pelo JC, um dos proprietários de imóvel que dependerá de desapropriação para viabilizar a obra afirmou que está disposto a atender o apelo do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). “É uma obra importante que vai garantir mais um acesso para a cidade, então vale à pena”, disse Renato José Aiello, que possui uma gleba na região.
O empresário afirmou que está disposto a doar parte de seu imóvel à Prefeitura, caso seja procurado pelo poder público neste sentido. O prefeito considera que outros proprietários estão dispostos a ganhar mais com a valorização e doação agora, acelerando o processo.
“Na Avenida Nações Unidas Norte isso aconteceu em grande escala, e a valorização veio a ser confirmada depois. É uma importante ligação com a saída para a área que mais tem construções de alto padrão previstas para a zona Sul. É preciso acelerar as desapropriações”, reafirma Rodrigo.
Obra custará R$ 2,7 milhões
A empresa CGS Engenharia, de São José do Rio Preto, apresentou o melhor preço no processo licitatório para a contratação da obra. A confirmação da empresa vencedora, porém, ainda depende da análise da documentação apresentada. O trabalho fica por conta do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), que assina também o projeto do prolongamento da Vicente Aiello.
O valor proposto pela CGS foi de 2,7 milhões para a pavimentação e sinalização da via, que ligará, com pista simples e asfaltada, o Cemitério do Ypê com a rodovia Bauru-Ipaussu, na altura do condomínio Lago Sul. A extensão da obra é de 3,2 quilômetros.
A partir da assinatura do contrato com a empresa vencedora, a execução das obras terá prazo de seis meses. No entanto, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Logística e Transportes informou que, por conta da legislação, as obras não podem começar até o final do processo eleitoral.