Cerca de 30 mil “espelhos” em branco de cédulas de identidade de vários estados do Brasil e centenas de selos supostamente desviados de cartórios utilizados para autenticar documentos foram apreendidos, na manhã desta quarta-feira (25), na “Operação Kron”, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Núcleo Bauru, em Marília (100 quilômetros de Bauru).
Dados do Gaeco revelaram que mais de 300 CPFs falsos foram criados em quatro meses no sistema da Receita Federal. Além disso, os acusados supostamente receptavam RGs em branco e outros documentos verdadeiros e inseriam dados falsos, para depois, cobrando, distribui-los. Segundo o Gaeco, esta pode ser a maior apreensão de documento ilícito já feita.
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Gaeco/Divulgação |
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Foram apreendidos documentos de transferência de veículo em branco, RGs, CPFs, CNHs e carteiras de trabalho |
Segundo o documento divulgado, além das cédulas, os policiais apreenderam documentos de transferência de veículos em branco, RGs e CPFs falsificados, carteiras de trabalho, espelhos de CNHs em branco e falsificados, além de muitos documentos públicos falsificados e também em branco, bem como cerca de R$ 32 mil em dinheiro, e cheques possivelmente falsificados.
A operação, comandada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo por meio do Gaeco, em conjunto com a Promotoria Criminal de Marília, deflagrou 11 mandados de prisão e 12 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Juízo da 2º Vara Criminal de Marília. Cidades como Marília, Júlio Mesquita, São Paulo, Guarulhos e Itaquaquecetuba e Ipiaçu, no Estado de Minas Gerais também participaram da operação.
De acordo com o Gaeco, a operação visou a desarticulação de uma organização criminosa que atuava em âmbito nacional e era especializada na inserção de centenas, até milhares, de dados falsos em sistema da Receita Federal, receptação de documentos públicos em branco, falsificação de documentos públicos e particulares, fraudes bancárias, receptação de veículo e lavagem de dinheiro. Um advogado e um contador de Marília são acusados de liderar a quadrilha.
Segundo as investigações sob responsabilidade do Gaeco Bauru, parte do grupo criminoso se concentrava na cidade de São Paulo a recepção de encomendas de diversas partes do Brasil. Eles eram responsáveis por inserir dados falsos no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) da Receita Federal. A ação também acontecia no Estado de Minas Gerais.
Outra parte da organização criminosa articulava-se em laranjas que participavam no esquema de fraudes bancárias. Eles recebiam os documentos sob encomenda, e criavam empresas “de fachada”. Os acusados chegavam a abrir contas em bancos e financeiras, empréstimos que chegavam na casa de R$ 200 mil.
As investigações ainda revelaram que o grupo criminoso falsificava talões de cheques verdadeiros subtraídos em branco de instituições financeiras, neles inserindo os dados de pessoas com bom nome e boa reputação, revendendo-os para outros agentes disseminá-los por várias partes do Estado de São Paulo e Estados vizinhos.
Apurou também que o advogado envolvido nos fatos é, possivelmente, um dos principais receptadores e disseminadores de um comércio clandestino de veículos produtos de estelionatos na região de Marília, os chamados “NP”, conhecidos na gíria criminosa como “ninguém paga” ou “não pagos”, os quais, a despeito de serem automóveis novos e de luxo, eram vendidos por preços irrisórios com as instruções aos interessados de como não sofrer consequências alguma com a aquisição fraudulenta.
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Gaeco/Divulgação |
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Junto com o material falsificado foram encontrados R$ 32 mil em dinheiro |
Nesta quarta (25), foram presos o contador Adelino Brandt Filho, morador de Marília e os demais supostos integrantes do grupo: Carlos Martinelli, Marcos da Silva, Dorival Carvalho Ramos, Eliel Valentin de Souza, Marisa de Lima Furlaneto Cardoso e Guilherme Furlaneto Cardoso. São procurados o advogado, também de Marília, Carlos Alberto Gonçalves. Também estão foragidos João Bosco Dias da Silva e Esther Rodrigues Diego.
Os investigados e diversas empresas relacionadas ao grupo estão com os bens indisponíveis por ordem judicial a pedido do Ministério Público, e responderão por formação de quadrilha, falsificação de documentos públicos, falsificação de documentos particulares, falsidade ideológica, estelionatos, receptação e lavagem de dinheiro.
As investigações prosseguirão com a análise do material apreendido e com a instauração de inúmeras outras investigações relacionadas a outros crimes de estelionato e falsificação constatados no feito.