Como são contraditórias certas colocações! Li uma reportagem intitulada "Escolas mostram seus caminhos", nesse conceituado jornal, no último dia 15/07, um entrevistado dizendo que a sua instituição tem a solidez da tradição com o desafio constante da renovação. Fiquei a pensar "como isso é possível, se um termo contradiz ao outro?" Fui buscar a origem da palavra tradição, que vem do latim: traditio, e diz respeito à transmissão de práticas passadas de geração a geração, ao conjunto das crenças de um povo, algo que é seguido conservadoramente.
Dessa forma, podemos afirmar que tradição é o sinônimo de conservador. Como pode, então, uma educação tradicional estar em constante renovação? Se renovarmos a tradição do famoso sanduíche Bauru, logo teremos um "cheese rosbife plus". Se renovarmos a tradição católica, logo as freiras estarão desfilando de mini-saia e salto agulha. Que palhaçada! Só na cabeça de certos educadores que essas coisas são possíveis. E o pior é que tem gente que aplaude, não somente as frases ensaiadas e jargões ultrapassados, mas também essas cômicas colocações totalmente infundadas.
Desculpe-me a franqueza, mas a maioria dos educadores que eu conheço está totalmente fora da realidade. Digo isso por conviver com uma pedagoga que partilha dessa mesma opinião. Tenho presenciado alguns absurdos acontecidos em algumas escolas particulares da nossa cidade, das quais a minha esposa tem algum tipo de ligação profissional, e fico estarrecido com o despreparo dos professores e também dos dirigentes, coisas do tipo: evitar contar a história do Chapeuzinho Vermelho para as crianças porque o Lobo Mau não pode mais comer a vovozinha, excluir a parlenda do "enganei um bobo na casca do ovo..." porque incentiva o bullying. Um politicamente correto que não pode existir dentro de uma instituição educacional. É preciso trabalhar com isso, não retirá-los do convívio social. Esse é o papel da escola... ou não é?
Os diretores ficam posando de "bonito", enaltecendo a linha pedagógica da sua escola, mas a realidade é que nem eles sabem que linha seguem, já que só visam o lucro, o dinheiro. A linha pedagógica é moldável, dependendo de cada sobrenome que a questione. A educação em si vai pro ralo com "linha" e tudo. Se o aluno sabe ou não sabe, pouco importa. Basta olharmos os índices de indisciplina, drogas, agressões, bullying e outros problemas que são colocados sob "panos quentes" pelas escolas particulares. Precisamos mudar este quadro urgente. Precisamos que o lucro dê espaço para que a educação seja colocada em primeiro plano. Educadores, por favor, desçam dos seus pedestais, retirem-se da mira dos holofotes e se preocupem em ensinar as nossas crianças a pensar, pois já não temos mais tempo de, como se dizia antigamente, sermos o País do futuro. Isso eu já ouvia quando era bem criancinha...
O futuro chegou e a coisa só piorou. Chega de ficar brincando de escolinha, chega de fazer de conta que ensinam, enquanto as crianças fingem que aprendem. Vi outro dia um vídeo de um Phd em educação que mostrou bem a realidade mundial. Hoje não basta mais você ter formação universitária para ter um bom emprego, tem de ter pós-graduação, mestrado, doutorado e outros "ados" que existem por aí, senão não se consegue uma boa colocação no mercado. A educação está tão banalizada que qualquer um entra pra faculdade, mesmo sendo um analfabeto funcional. Desculpem meu desabafo, mas não consigo ficar olhando para todo esse espetáculo e não fazer absolutamente nada. Ou vocês coloquem, de uma vez por todas, os alunos para interagir com a peça ou fechem as cortinas e saiam de cena.
Roberto Lima