08 de julho de 2026
Internacional

Forças sírias atacam Damasco e Aleppo

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Beirute - Damasco e Aleppo, as duas maiores cidades da Síria, foram bombardeadas ontem por forças leais ao presidente Bashar al Assad, que tentam expulsar os rebeldes dos principais centros de poder do país.

Depois de se tornar um dos mais graduados desertores do atual regime, o general de brigada Manaf Tlas se apresentou como alguém capaz de unir a fragmentada oposição dentro e fora da Síria numa eventual transferência de poder.

O conflito na Síria começou há mais de 16 meses, mas entrou numa nova fase na semana passada, quando um atentado rebelde matou quatro integrantes do alto escalão do regime, gerando entre seus inimigos a expectativa de que os dias de Assad no poder estariam contados.

Mas, desde então, as forças do governo endureceram significativamente sua resposta à revolta armada. Aviões de combate foram vistos em ação sobre Aleppo, e fontes da oposição disseram que combatentes rebeldes estão sendo sumariamente executados nas ruas de Damasco.

Na manhã de ontem, moradores de bairros da zona sul da capital relatavam pelo menos um bombardeio por minuto, durante cerca de três horas. Helicópteros estavam atacando o bairro de Hajar al Aswad, um dos últimos redutos dos rebeldes na cidade após vários dias de combates nas ruas, segundo ativistas.

Depois de acuar os rebeldes em Damasco na semana passada, o Exército se voltou para Aleppo, reforçando sua presença na cidade com uma coluna de blindados que antes operava numa remota província do norte. Isso foi visto como um sinal de que o governo fará de tudo para não perder o controle sobre o principal polo comercial da Síria, uma cidade com 2,5 milhões de habitantes.

Houve intensos combates em Aleppo nas primeiras horas de ontem, e ativistas dizem que os rebeldes agora controlam metade da cidade, uma afirmação que não pôde ser verificada de forma independente. “Houve bombardeios hoje de manhã nos bairros de Salaheddine e Mashhad”, disse o ativista local Abu Hisham. “Agora parou, mas os helicópteros estão zumbindo aqui em cima.”

Ativistas disseram que 24 pessoas foram mortas em combates na quarta-feira em Aleppo e arredores. Desde o início da revolta, estima-se que cerca de 18 mil pessoas tenham sido mortas.

 

EUA acusam regime sírio

Os Estados Unidos acusaram ontem o regime sírio de planejar um massacre de civis e opositores em Aleppo, segunda maior cidade do país árabe que passa por intensos confrontos entre rebeldes e tropas do ditador Bashar Assad desde o início da semana.

A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, afirma que o governo americano tem “graves preocupações” sobre o uso de tanques e aviões de combate usados na cidade. “Esta é a preocupação: que nós podemos ver um massacre em Aleppo e isso é o que o regime aparenta fazer”.

De acordo a representante, informações de fontes diplomáticas apontam que milhares de pessoas estão saindo da cidade e que a ação do regime seria “uma tentativa desesperada” de tentar recuperar território. Apesar da ameaça, ela descarta intervenção militar dos Estados Unidos no país.

“Não acreditamos que colocando mais lenha na fogueira é conseguir salvar vidas. O caminho para sair disso não é mais violência, mas o fim dela e o início de um verdadeiro processo de transição política”.

Ela também descartou comparações entre Aleppo e Benghazi, na Líbia, que foi o primeiro ponto de domínio dos rebeldes do país africano antes de derrubarem o regime de Muammar Gaddafi, em outubro de 2011. Dentre as diferenças citadas, estão a dificuldade do terreno e a ausência de uma oposição unida.

A cidade, de 2 milhões de habitantes, é a segunda maior cidade do país, perdendo para Damasco. Desde domingo, grupo de rebeldes que atuavam em regiões do norte sírio tentam controlar a cidade, enfrentando a repressão das tropas do regime sírio, que ampliaram seu efetivo na cidade.